Cercosporioses

Mancha castanha – Cercospora arachidicola

Mancha Preta – Cercosporidium personatum

INTRODUÇÃO

No amendoim ocorrem duas doenças sob o nome de cercosporiose: a mancha castanha e a mancha preta, amplamente disseminadas em todas as regiões de cultivo e que são atualmente as mais comuns e mais importantes doenças da cultura no Estado de São Paulo. Dificilmente se encontra uma cultura em fim de ciclo sem sintomas dessas doenças. Seus prejuízos ocorrem devido à desfolha precoce das plantas, podendo atingir mais de 50% da produção caso essa desfolha ocorra antes dos 90 dias de idade da cultura. A massa foliar caída aumenta a incidência da murcha de Sclerotium, elevando ainda mais os prejuízos. Além disso, com a desfolha precoce das plantas, os danos por apodrecimento de vagens e ginóforos podem aumentar muito caso haja um atraso na colheita devido ao excesso de chuvas, fato relativamente comum no Estado de São Paulo.

Com a evolução tecnológica da cultura, a introdução de novos cultivares de hábito rasteiro e mecanização da colheita, a desfolha tornou-se um novo problema. O “arrancador invertedor” tem melhor desempenho quando as plantas encerram o ciclo enfolhadas.

Finalmente, as folhas desempenham um papel importante formando uma “cama” de sustentação das vagens em posição mais adequada e sem contato com o solo, durante o período de secagem no campo, principalmente se ocorrerem períodos chuvosos na colheita.

SINTOMAS

Os sintomas mais evidentes dessas doenças são lesões necróticas de cor castanha, quando ocasionadas por Cercospora arachidicola, ou preta, quando o agente é Cercosporidium personatum. Entretanto, além da cor, existem outras características que permitem separar as duas doenças. A mancha castanha é ligeiramente maior (mede até 12 mm de diâmetro), tem forma arredondada com bordos irregulares, apresenta um halo amarelado nítido (Figura 1) e desenvolve frutificações do patógeno na superfície superior da folha. Já a mancha preta (Figura 2) é menor (mede até 7 mm de diâmetro), arredondada com bordos mais uniformes, o halo amarelado é indistinto ou ausente e a esporulação do patógeno se desenvolve principalmente na superfície inferior da folha, embora em ataques severos possa ser observada também na superior.

Figura 1 - Mancha castanha
Figura 2 - Mancha preta

Provavelmente devido a pequenas diferenças nas condições que favorecem as duas doenças, principalmente temperatura, a mancha castanha aparece mais precocemente, no plantio de setembro a novembro, atualmente adotado no Estado de São Paulo, em áreas de renovação de canaviais, que constituem a maioria das áreas com a cultura no Estado.

Os sintomas podem aparecer em outras partes da planta como pecíolo, caule, pedúnculo e vagem, de maneira semelhante aos das folhas, porém com lesões menores e alongadas no sentido do comprimento desses órgãos (Figura 3) .

A doença manifesta-se inicialmente nos folíolos das folhas mais velhas, progredindo para as mais novas. Folíolos severamente afetados caem com facilidade (Figura 4), o que resulta em redução da área fotossintética e consequente redução da produção.

Figura 3 - Lesões de Mancha preta em hastes
Figura 4 - Desfolha ocasionada por Cercosporioses

ETIOLOGIA

Cercospora arachidicola, agente da mancha castanha, e Cercosporidium personatum, agente da mancha preta, correspondem na fase sexuada, respectivamente, a Mycosphaerella arachidis e M. berkeleyii.

Estes fungos sobrevivem de uma época de cultivo para outra principalmente em restos de cultura e em plantas voluntárias, na forma de micélio estromático e de conídios. Nas regiões onde são utilizadas duas épocas de cultivo, uma em setembro-outubro e outra em janeiro-fevereiro, os conídios podem estabelecer a continuidade da ocorrência da doença. A sobrevivência através da fase ascógena ainda não foi relatada no Brasil.

Os esporos são disseminados por sementes mas, principalmente, pelo vento e por respingos e, quando depositados na superfície das folhas, sob condições favoráveis, germinam e penetram através dos estômatos. Os primeiros sintomas da mancha castanha aparecem, geralmente, 11 a 17 dias após a infecção, enquanto que os da mancha preta podem ser detectados em 10 a 14 dias.

Epidemias de mancha castanha são favorecidas por longos períodos de alta umidade relativa e temperaturas de aproximadamente 16 a 25ºC, enquanto que a mancha preta requer prolongados períodos de molhamento foliar (10 horas ou mais) e temperatura de 20 a 26ºC.

CONTROLE

As medidas adotadas na condução da cultura que visam reduzir os problemas ocasionados pelas doenças podem ser subdivididas em dois grupos principais. No primeiro estão aquelas que reduzem o inóculo inicial, retardando o início da epidemia, e no segundo, as que reduzem a taxa de infecção. As primeiras tornam-se mais eficientes à medida em que as segundas são adotadas e, em conjunto, mantêm a ocorrência das doenças abaixo do nível de dano.

Como medida que reduz o inóculo inicial pode ser citada a rotação de culturas por dois a três anos, medida já adotada nas áreas de renovação de canaviais, inclusive por períodos maiores (4 a 5 anos). Em outras áreas, qualquer cultura pode ser recomendada, desde que não pertença ao gênero Arachis ou não tenha problemas com doenças comuns ao amendoim. A incorporação de restos de cultura através de aração profunda, também já adotada nas áreas citadas, tem eficiência em retardar o início das epidemias, embora não possa ser considerada substitutiva da rotação. Uma terceira medida de mesmo efeito epidemiológico que as anteriores, e que deve ser adotada como complementar às duas, é a destruição de plantas voluntárias ou “tigüeras”.

Vale ressaltar que, nas condições atuais, a rotação com cana-de-açúcar não produz os efeitos benéficos de reduzir o inóculo inicial, pois as “tigueras” permanecem no meio do canavial, resultando inclusive em efeito contrário.

Entre as medidas que reduzem a taxa de infecção pode ser citado o uso de cultivares resistentes. O cultivar IAC Caiapó, de hábito rasteiro, tem mostrado boa resistência às cercosporioses, permitindo uma redução no uso de fungicidas. Embora existam outros cultivares com boa resistência, estes não são de uso comercial.

Até o momento, o uso de fungicidas constitui-se na mais eficiente prática para reduzir a taxa de infecção das cercosporioses. Existem várias opções de produtos no mercado, sendo mais utilizados, o clorotalonil, os triazóis, as estrubilurinas e misturas entre estes produtos. As aplicações de fungicidas geralmente são realizadas em intervalos de cerca de 10 a 12 dias, com início aos 40-45 dias após a semeadura. Ressalte-se que o Clorotalonil deve ser incluído em todas as aplicações

Outra opção para se decidir quando aplicar fungicidas é o uso dos sistemas de previsão, já disponíveis para estas doenças e que vêm proporcionando bons resultados. Tais sistemas consistem no monitoramento de condições climáticas, como umidade relativa, temperatura e molhamento foliar, cujos valores são analisados diariamente e permitem determinar o momento correto de se efetuar a pulverização. Com a utilização destes sistemas, o agricultor poderá obter bom controle das cercosporioses com o número correto de aplicações de fungicidas que, eventualmente, poderá ser menor do que aquele realizado com base em um calendário preestabelecido.

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