BOLETIM TÉCNICO(Atualizado em 1999)
DOENÇAS
DO TOMATEIRO (Lycopersicon esculentum Mill.)
Autores: BARRETO, M & SCALOPPI, E.A.G.
SUMÁRIO
I - Doenças Foliares
- REQUEIMA - Phytophthora
infestans
- PINTA PRETA - Alternaria
solani
- SEPTORIOSE -
Septoria lycopersici
- MANCHA DE STEMPHYLIUM
- Stemphylium solani
- MANCHA BACTERIANA
- Xanthomonas campestris pv. vesicatoria
- MANCHA BACTERIANA
PEQUENA - Pseudomonas syringae
pv. tomato
II Cancros
- CANCRO BACTERIANO
- Clavibacter michiganense subsp. michiganense
- CANCRO DA HASTE -
Alternaria alternata f. sp. lycopersici
II Murchas
- MURCHA BACTERIANA
- Ralstonia solanacearum
- MURCHA DE FUSARIUM
- Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici
- MURCHA DE
VERTICILLIUM - Verticillium dahliae
III Viroses
- VIRA-CABEÇA - Tospovirus
- MOSAICO COMUM
- "Tomato mosaic virus"- TOMV
- RISCA OU MOSAICO Y
- "Potato Virus Y" - PVY
- AMARELOS "Tomato
Yellow Top Virus" - TOYTV e "Tomato Bottom Leaf
Yellow Virus" - TBLYV
- BROTO CRESPO - Geminivirus
- MOSAICO DOURADO - Geminivirus
- CÁLICE GIGANTE -
Phytoplasma sp.
IV Outras Doenças
- DAMPING-OFF OU TOMBAMENTO
Vários Agentes
- OÍDlOS -
Leveillula taurica e Oidium lycopersici
- MOFO BRANCO - Sclerotinia
sclerotiorum e Sclerotinia minor
- MOFO CINZENTO -
Botrytis cinerea
- PODRIDÃO DE
SCLEROTIUM - Sclerotium rolfsii
- MANCHA DE
CLADOSPORIUM - Cladosporium fulvum
- PODRIDÃO DE PHOMA
- Phoma destructiva
- PODRIDÃO DO COLO E DA
RAIZ - Fusarium oxysporum f.
sp. radicis-lycopersici
- PODRIDÃO CORTICOSA DA
RAIZ - Pyrenochaeta lycopersici
- QUEIMA BACTERIANA
- Pseudomonas syringae pv. syringae
- TALO OCO -
Erwinia carotovora subsp. carotovora
- NECROSE DA MEDULA
- Pseudomonas corrugata
- BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
I - Doenças Foliares
REQUEIMA
- Phytophthora infestans (Mont) De Bary
Esta doença ocorre em
todas as regiões do globo onde se cultivam o tomateiro e a batata. A requeima é uma doença altamente
destrutiva, pela rapidez com que evolui. Está relacionada à
ocorrência de baixa temperatura e alta umidade. Em áreas
sujeitas a freqüentes cerrações ou em épocas com muito
orvalho, a doença pode constituir sério problema à cultura,
caso não sejam tomadas medidas de controle.
Sintomas
- Aparecem em toda a parte aérea da planta mas, em geral,
a doença inicia-se pelos tecidos situados em sua metade
superior.
- Nos folíolos, os primeiros sintomas surgem como manchas irregulares, de tecido
encharcado verde-escuro, que podem aumentar rapidamente
de tamanho e tomar grandes áreas.
- Posteriormente, essas áreas passam a cor pardo-escura
com uma estreita faixa de tecido túrgido entre o tecido
necrosado e o sadio.
- Quando há coalescência das manchas,estas podem destruir
a maioria das folhas em pouco
tempo.
- Sintomas nos ramos, pecíolos e ráquis são
pardo-escuros.
- Nos frutos, em qualquer estádio, as lesões são do tipo
podridão dura, de cor pardo escura.
- Em ambiente úmido, crescimento
branco-cinza desenvolve-se sobre a superfície
afetada.
A doença é favorecida por períodos de alta umidade relativa
(90 - 100%) e de temperaturas entre 18 e 22ºC.
A disseminação do patógeno é feita principalmente por vento e chuva.
Controle
Considerando-se que, hoje, todas as variedades e híbridos
cultivados comercialmente são suscetíveis, o método mais
eficiente de controle é o químico.
- Recomendam-se pulverizações preventivas periódicas com
produtos protetores ou sistêmicos.
- Mancozeb e chlorothalonil são exemplos de protetores.
Dentre os fungicidas sistêmicos, são recomendados por
exemplo o metalaxyl e cymoxanil.
- Evitar plantio em baixadas úmidas,margens de rios e
represas, locais mal ventilados e sujeitos à neblina
pelo acúmulo de ar frio e úmido.
- Adotar espaçamento amplo para favorecer a ventilação e
diminuir a umidade do ambiente.
- Não utilizar sementes de frutos doentes, pois o fungo é
transmissível pela semente.
- Fazer rotação de culturas por 2 ou 3 anos.
PINTA PRETA - Alternaria solani (Ell.
& Martin) Jones & Grout.
Esta doença ocorre em todas as regiões onde o tomateiro é
cultivado. Sua maior incidência é constatada em condições de
alta umidade e temperaturas entre 25 e 30ºC. Entretanto, a pinta
preta pode ocorrer também em clima semi-árido, onde é
verificado orvalho com freqüência. Quando não controlada
adequadamente, a doença pode causar severa destruição foliar,
o que pode acarretar queima dos frutos pelo sol, redução do número, tamanho,
e qualidade dos mesmos.
Sintomas
- Toda a parte aérea da planta pode
ser infectada em qualquer idade, mas as lesões são mais
abundantes nas folhas mais velhas. Nas folhas mais novas,
as lesões são menores
- Nas folhas maduras, as lesões
são necróticas, pardo escuras, com ou sem zonas concêntricas. Quando a lesão atinge a nervura da folha, esta é destruída, provocando o amarelecimento e morte
da parte afetada.
- No caule, no pecíolo e na ráquis, as lesões são
semelhantes às da folha, podendo provocar a morte dos
mesmos.
- Nos frutos, as lesões iniciam-se a partir das sépalas,
causando podridão seca de aspecto
zonado.
- Em condições de umidade elevada, toda a lesão fica
coberta por um crescimento aveludado escuro.
Conídios são disseminados principalmente pelo vento,
insetos, sementes, trabalhadores e implementos.
A sobrevivência se dá principalmente em restos de cultura.
Além do tomateiro, A. solani afeta outras solanáceas,
entre as quais a batata, a berinjela, o pimentão e o jiló.
Controle
- Tratamento de sementes com thiram, captan, thiram +
iprodione.
- Rotação de culturas com gramíneas para eliminar ou
reduzir a fonte de inóculo.
- Evitar áreas de baixadas ou locais sujeitos à neblina e
áreas próximas a culturas mais velhas.
- Pulverizações preventivas com fungicidas, tais como cúpricos,
mancozeb, clorotalonil, iprodione, e triazóis. O
intervalo de aplicação varia com as condições
climáticas.
- Em geral, sob condições favoráveis às doenças
foliares, o intervalo de aplicação varia de 3 a 7 dias
SEPTORIOSE - Septoria lycopersici
Speg.
Esta doença é particularmente severa em áreas de umidade
elevada, principalmente em épocas de temperatura moderada.
Nessas condições, as folhas, a partir das mais velhas, são
destruídas, expondo os frutos à queima pelo.
Sintomas
- Numerosas manchas circulares ou elíticas que coalescem, provocando desfolha das
plantas.
- São pequenas com margem marrom-escura, centro cinza, com ou sem halo
clorótico.
- No centro da lesão observam-se pontos negros que são os
picnídios do fungo.
- No caule, pecíolo e sépala, as lesões são menores e
mais escuras do que em folhas.
- As folhas mais velhas são afetadas primeiro e
posteriormente, as mais novas.
- Os frutos raramente são afetados.
As principais fontes de inóculo são sementes, restos de
cultura, estacas já usadas e espécies selvagens de solanáceas
como maria-pretinha, Solanum carolinenses, Physalis spp. e
Datura stramonium.
A disseminação é feita por respingos d'água, mas
trabalhadores, implementos agrícolas e insetos, também podem
disseminar o fungo.
Longos períodos de alta umidade relativa, temperatura amena e
chuvas abundantes constituem condições ideais para o
desenvolvimento da doença e disseminação do patógeno.
Controle
As medidas de controle recomendadas para requeima e pinta
preta, acrescidas de fungicidas sistêmicos mais
específicos como benomyl, tiofanato metílico, carbendazin e
tiabendazol são suficientes para o controle desta doença.
MANCHA
DE STEMPHYLIUM - Stemphylium solani
Weber
Embora constitua uma
doença muito destrutiva, tornou-se secundária no Brasil, nos
últimos 20 anos, porque as variedades e híbridos mais
plantados, tanto para mesa (estaqueado) como para indústria
(rasteiro), são resistentes. Entretanto ainda é possível
verificar alguns surtos da doença. Geralmente é tardia, mas
quando o ataque é precoce, o desenvolvimento da planta é muito
afetado.
Sintomas
- Aparecem com maior freqüência nas folhas do ponteiro,
na época da colheita.
- É tipicamente foliar. Nos pecíolos e tecidos tenros do
caule só ocorre em condições muito favoráveis.
- Manchas pequenas nas folhas
mais novas, encharcadas, pouco visíveis, de coloração
marrom a preta. Tornam-se rapidamente necróticas,
irregulares, de coloração cinza-escura,
translúcidas.
- São freqüentemente rompidas
ao atingir seu tamanho máximo.
O fungo sobrevive em restos culturais no solo, em plantas tigüera ou em diversas solanáceas cultivadas como jiló,
batata, pimentão e pimenta ou nativas.
O fungo é disseminado por sementes, mudas infectadas e
insetos, mas o principal agente é o vento.
É favorecida por água livre nas folhas (orvalho, água da
chuva ou de irrigação) e temperatura entre 25-28ºC.
Controle
- Recomenda-se o plantio de variedades e híbridos
resistentes, como Ângela, Santa Clara, Agrocica 33, IPA
5, Petomech, Elios, Spectrum 151, Condor, RS-912825,
Rodade, Stevens, 082/45, Solar Set, São Sebastião,
Santo Antônio e Cláudia VF.
- São medianamente resistentes: Jumbo Ag-592, Concorde
Ag-594, Débora VFN, RS-912826, Agrocica Botu13,
XPH-5978, Spectrum 579, FN-1047, XPH-5979, H-2710 e
RS-892745.
- Recomenda-se ainda a eliminação de restos de cultura,
rotação de culturas e utilização de fungicidas
protetores, tais como cúpricos, mancozeb e
chlorothalonil, quando forem plantadas variedades ou
híbridos suscetíveis à doença.
MANCHA
BACTERIANA - Xanthomonas
campestris pv. vesicatoria (Doidge) Dye et al.
É uma doença de ocorrência muito freqüente e destrutiva em
condições de elevada umidade e precipitação e temperaturas
entre 20 e 30ºC.
Sintomas
- Todos os órgãos da parte aérea são afetados em
qualquer idade.
- Nas folhas, começam como
pequenas áreas de tecido encharcado, de forma circular
ou irregular.
- Com a necrose, apresentam
coloração parda de intensidade variável.
- As áreas lesadas, quando secas, possuem aspecto
brilhante na face inferior das folhas, devido à
exsudação bacteriana. É freqüente o sintoma de necrose nos bordos e ao longo de
ferimentos nas folhas.
- Nas hastes florais, a necrose
é circular ou irregular, podendo expor o lenho.
- Os sintomas nos frutos
iniciam-se com pequenas áreas encharcadas que depois
necrosam e aumentam de tamanho, originando lesões deprimidas ou levemente
salientes, de aspecto corticoso.
- Quando a incidência ocorre em frutos pequenos, pode
provocar sua deformação ou queda.
O patógeno pode sobreviver em restos de cultura e em outras
plantas hospedeiras, tais como pimentas, pimentão, berinjela,
batata, tomateiro selvagem, Solanum nigrum, Datura spp. e Physalis
spp.
Epidemias são favorecidas por condições de alta umidade. Ventos fortes associados
a chuvas pesadas também favorecem a disseminação da bactéria
dentro da cultura ou entre culturas próximas. A disseminação
planta a planta ocorre também por respingos de água da chuva ou
irrigação por aspersão, implementos agrícolas, pelos trabalhadores durante os tratos culturais e, à longa distância,
por meio de sementes contaminadas.
Controle
- Rotação de culturas por um período de 3 anos.
- Evitar o plantio de outras solanáceas.
- Tratar as estacas de tutoramento, mourões, arames,
bandejas de semeadura e madeiramentos para barracão com
uma mistura de 500 g de oxicloreto de cobre em 100 litros
de água, e mais 50 ml de espalhante adesivo. Ao invés
de oxicloreto de cobre, pode ser utilizado o hipoclorito
de sódio. Neste caso, é usada uma solução contendo
0,1 % de cloro ativo.
- Tratamento de sementes pela imersão em água quente a
56ºC durante 30 minutos.
- Tratamento em 5% HCl durante 5 horas ou em 5% hipoclorito
de sódio por 20 minutos - lavar em seguida
- Não existe produto químico que controle eficientemente
a doença após sua instalação na cultura.
- Pulverizações preventivas com fungicidas cúpricos, cúpricos +
mancozeb (deixar a mistura em repouso por 90 minutos) ou antibióticos auxiliam no controle.
MANCHA
BACTERIANA PEQUENA - Pseudomonas
syringae pv. tomato (Okabe) Young, Dye &
Wilkie
Também conhecida por Pinta Bacteriana, é uma doença muito
importante em condições de alta umidade e temperaturas entre 18
e 25ºC, devido, principalmente, à inexistência de variedades e
híbridos resistentes.
Sintomas
- Todos os órgãos da parte aérea são afetados em
qualquer idade.
- Os sintomas, tanto nas folhas
como nos frutos, não diferem
muito da mancha bacteriana.
- As lesões necróticas nas folhas
são circulares ou irregulares e, na face inferior,
apresentam cor pardo-escura a preta.
- Em geral, as lesões são
circundadas por um grande halo amarelo.
- Em frutos, os sintomas são pontos
necróticos que variam do tamanho da cabeça de um
alfinete a alguns milímetros de diâmetro, levemente
salientes e de cor pardo-escura a preta.
Controle
- Os cultivares Agrocica Botu 13, Condor e Ontário 7710, e
os híbridos Zenith, Spectrum 151, Spectrum 579, Spetrum
385, XPH-5976, XPH-5978 e Elios são considerados
resistentes.
- Em adição a isto, podem ser adotadas as mesmas medidas
de controle já recomendadas para a mancha bacteriana.
II Cancros
CANCRO
BACTERIANO - Clavibacter michiganense subsp.
michiganense (Smith) Davis et al.
Para o tomateiro estaqueado é uma das doenças mais
importantes, pois pode destruir grande parte da plantação. É
menos importante para o tomateiro industrial, devido,
provavelmente, ao tipo de cultivo onde não são feitas desbrotas
e tutoramento das plantas, mas a ocorrência vem aumentando nos
últimos anos.
Sintomas
- Pequenas manchas encharcadas, depois necróticas, nas
folhas.
- Elevações de forma circular, com o centro
esbranquiçado, que se rompem formando pequenos cancros
- Como essas lesões são levemente salientes, os folíolos
afetados podem mostrar-se ásperos.
- Também causa queima dos bordos dos folíolos.
- Lesões em hastes, ráquis, pecíolos e frutos são
semelhantes às do limbo foliar.
- Nos frutos, os sintomas apresentam-se como lesões
circulares, brancas, que se rompem.
- Este sintoma é conhecido como "olho-de-passarinho".
- Quando ocorre grande número de lesões nos frutos, estes
podem ser deformados.
- Quando sistêmico causa murcha parcial ou total da planta.
- Os sintomas sistêmicos ocorrem freqüentemente acima do
ponto de desbrota no caule.
- A murcha pode ser vista, primeiramente, na folha
adjacente a este local.
- Pode ocorrer necrose dos bordos dos folíolos da
metade da folha, metade da planta ou de toda a planta.
- Pode ocorrer descoloração
vascular.
- O córtex destaca-se com facilidade, mostrando
tecido desintegrado entre os vasos lenhosos e liberianos.
- Em alguns casos, até a medula apresenta-se amarelada,
devido à presença da bactéria.
- A colonização sistêmica pode atingir toda a planta,
inclusive o fruto, chegando até o interior
da semente.
- Frutos não se desenvolvem normalmente e caem com
facilidade.
A bactéria pode sobreviver em restos de cultura e em outras
plantas da família das Solanáceas.
As condições favoráveis ao desenvolvimento da bactéria
são temperaturas entre 24 e 28ºC e alta umidade.
Controle
O controle só é eficiente quando se aplica um conjunto
de medidas preventivas, tais como:
- Rotação de culturas por um período de 3 anos.
- Evitar o plantio de outras solanáceas.
- Tratar as estacas de tutoramento, mourões, arames,
bandejas de semeadura e madeiramentos para barracão como recomendado
para Mancha Bacteriana.
- Tratamento térmico de sementes.
- Tratamento químico de sementes.
- Pulverizações preventivas semelhantes às recomendadas para Mancha
Bacteriana.
- No caso do tomateiro estaqueado, os cultivares Príncipe
Gigante e Jumbo (tipo Santa Cruz), MR-4, H-2990 e Rotam-4
(tipo caqui), e os híbridos First Piolex, Zuiko 208 e
Okitsu Sozai I (tipo caqui), apresentam níveis
intermediários de resistência.
III Murchas
MURCHA
BACTERIANA - Ralstonia solanacearum
(Smith) Yabuuchi et al.
É uma doença muito importante em regiões de clima tropical
e subtropical. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, é a
doença mais importante do tomateiro, pois impede seu plantio em
muitas áreas. Em outras regiões brasileiras, sua ocorrência é
comum, principalmente nos meses mais quentes do ano.
Sintomas
- Murcha das folhas mais velhas, um a três dias após, murcha dos ponteiros, culminando com
a murcha geral da planta.
- Morte da
planta 2 a 4 dias após o aparecimento dos sintomas
iniciais, permanecendo verde.
- Descoloração dos vascular,
principalmente na parte inferior do caule
- Freqüentemente, há exsudação de pus bacteriano na
extremidade do caule cortado sob forte pressão.
- Um método prático para a diagnose da doença consiste
em cortar uma porção de 10 a 20 em de caule, próximo
à região do colo, e colocar sua extremidade inferior em
contato com água limpa, contida num copo de vidro.
Verifica-se formação de um filete
branco na água que é o exsudato bacteriano.
A sobrevivência da bactéria é favorecida pela umidade e os
maiores índices de doença ocorrem em solos pesados, úmidos e
em temperaturas do solo entre 24 e 35ºC. Em temperaturas do solo
abaixo de 2lºC, o tomateiro pode ser infectado mas não exibir
sintomas. No Brasil, não raramente, constata-se a ocorrência de
murcha bacteriana em tomateiro e batata, conhecida como
"campo biô", quando se instala essas culturas em
áreas do cerrado recém-desbravadas. A bactéria faz parte da
microflora da vegetação do cerrado. Em geral, a bactéria deixa
de ser problema ao tomateiro ou à batata após 2 a 3 anos de
cultivo, principalmente, com gramíneas.
A disseminação da bactéria dá-se através de água, solo,
tratos culturais, implementos agrícolas, homem, insetos, mudas
contaminadas, estercos contaminados, etc.
A bactéria é patogênica a mais de 200 espécies de 33
famílias botânicas, sendo mais comum em solanáceas (tomateiro,
fumo, batata e pimentão), compostas e musáceas.
Controle
- Rotação de culturas com gramíneas, tais como milho,
arroz, sorgo, cana-de-açúcar e pastagem.
- Plantio em áreas onde não há histórico de ocorrência
da doença.
- Isolamento de focos iniciais da doença, evitando irrigar
as plantas contaminadas.
- Cuidado com água de irrigação, dada a possibilidade
desta estar contaminada.
- Recomenda-se ainda, para o tomateiro estaqueado, os
cultivares Caraíba e Rodade, e o híbrido C-38 de fruto
tipo caqui.
- Quando o foco de infestação é pequeno, recomenda-se
arrancar as plantas e queimá-las, tratando-se o local
com formalina a 1 %, através de rega do solo.
MURCHA
DE FUSARIUM - Fusarium oxysporum
f. sp. lycopersici Snyder & Hansen
A murcha de Fusarium é uma doença que ocorre em todas as
regiões onde o tomateiro é cultivado. No Brasil, já foi uma
doença muito importante para o tomateiro estaqueado, quando se
plantavam variedades suscetíveis. Com a obtenção de variedades
resistentes a doença deixou de ser importante.
Sintomas
- Amarelecimento forte, tipo "gema de ovo", nas
folhas mais velhas, progredindo para as mais novas.
- Esse sintoma pode inicialmente ocorrer num lado da planta
ou metade da folha.
- Os folíolos amarelos murcham e secam, mas as folhas
ficam presas ao caule.
- Os vasos lenhosos das folhas e do caule ficam com
coloração parda e aparência seca.
- Frutos geralmente não se desenvolvem, podendo ocorrer
queda prematura e descoloração dos vasos.
A sobrevivência se dá principalmente pelos clamidósporos
que permanecem viáveis no solo por mais de 10 anos.
A disseminação do fungo a longa distância é feita
principalmente por sementes. Vento, água, tratos culturais e
implementos agrícolas são responsáveis pela disseminação a
curta distância.
O desenvolvimento da doença é favorecido por temperaturas
entre 21 e 33ºC, sendo o ótimo a 28ºC. Plantas crescendo em
solos ácidos, pobres, com pouca água e deficientes em cálcio,
tendem a ser mais afetadas.
Controle
- Rotação de cultura por três a cinco anos com plantio
de gramíneas.
- Tratamento das sementes com benomyl, tiofanato metílico
ou tiabendazole.
- Plantio em áreas não contaminadaas
- A única medida segura e eficiente de controle é o
emprego de variedades resistentes.
- Para o tomateiro estaqueado, recomenda-se Ângela, Santa
Clara, Débora, Cláudia, Jumbo Ag-592 e Concorde Ag-594,
do tipo Santa Cruz e Carmen, Momotaro, Agora e Floradel
do tipo Caqui.
- No caso de tomateiro rasteiro para indústria, todos os
híbridos e variedades são resistentes destacando-se Rio
Grande, Rio Fuego, Duke, Peto-95, MH-1, Walter,
Floradade, Celebrity e Baron.
MURCHA
DE VERTICILLIUM - Verticillium dahliae Kleb
A murcha de Verticillium ocorre em todas as regiões onde se
cultiva o tomateiro. Também nesse caso a importância foi
reduzida pela introdução de cultivares resistentes. Além disso
doença é mais importante em condições de temperaturas amenas e
em solos levemente ácidos a neutros, que não prevalecem na
maioria das regiões produtoras do Brasil. Entretanto, tem-se
constatado elevados prejuízos devidos à murcha de Verticillium,
principalmente no cultivar Ângela que é altamente suscetível
à raça 1. O cultivar Santa Clara e outros, resistentes à raça
1, também têm sido afetados pela doença. No momento, não há
nenhum híbrido ou variedade resistente à(s) raça(s) 2 e 3
que ocorrem no Estado de São Paulo
Sintomas
- Amarelecimento em V com o vértice
voltado para a nervura principal.
- As áreas amareladas tendem a necrosar num estádio mais
avançado da doença.
- Em condições mais úmidas, o processo é acelerado pelo
ataque de outros fungos como Alternaria.
- Em geral as plantas não morrem, mas apresentam menor
desenvolvimento e redução no tamanho dos frutos.
- Descoloração do sistema vascular
da região próxima ao colo.
- Esta doença é facilmente diferenciada da murcha de
Fusarium pois esta provoca amarelecimento "gema de
ovo" dos folíolos e não em forma de V, além de
causar descoloração bem visível no sistema vascular.
O patógeno parasita cerca de 200 espécies de plantas entre
solanáceas, malváceas, fabáceas e plantas de outras famílias,
tanto cultivadas como silvestres. Além disso, o fungo pode
sobreviver no solo em forma de microescleródios por vários
anos.
Controle
- O método mais eficiente e seguro de controle da
murcha de Verticillium é o emprego de variedades
resistentes. Mas como as variedades e híbridos
disponíveis no momento são resistentes somente para a
raça 1, nem sempre um híbrido ou variedade pode
contornar o problema se ocorrer uma outra raça.
- Rotação de cultura é útil, mas os resultados são
limitados porque o fungo sobrevive no solo por muitos
anos e afeta grande número de espécies vegetais.
- Evitar solos onde já tenha sido constatada a doença.
- Fumigação com brometo de metila ou com outros
fumigantes em canteiros e solos de estufa.
- Solarização é um tratamento bastante eficiente
pois o fungo é eliminado a temperaturas acima de 51ºC.
III Viroses
VIRA-CABEÇA
- Tospovirus
Trata-se da virose mais importante da cultura, tanto pelos
danos que provoca como pelas dificuldades e custo de controle.
Danos em cultivos comerciais podem ser extremamente altos, com
incidência em torno de 50 a 90 %, principalmente entre novembro
e abril, período mais favorável à proliferação do tripes
vetor.
Sintomas
- Coloração bronzeada das folhas do
ponteiro, seguida de uma paralisação no
desenvolvimento da planta.
- Folhas apresentam-se distorcidas
com áreas necróticas que tendem a formar anéis
concêntricos no limbo e pecíolo.
- Lesões idênticas
podem ocorrer na ráquis da inflorescência e no caule.
- Em pouco tempo, todo o ponteiro
pode necrosar e, com freqüência, curvar-se
para um dos lados, sintoma que dá nome à doença.
- Quando plantas jovens são infectadas, os sintomas podem
ser especialmente severos, podendo levá-las à morte.
- Frutos jovens formados após a
infecção podem desenvolver manchas
anelares ou irregulares
necróticas.
- Frutos maduros mostram-se pálidos,
com áreas amareladas irregulares ou em anéis concêntricos.
Os Tospovirus possuem uma ampla gama de hospedeiros, incluindo
mais de 500 espécies distribuídas em mais de 50 famílias.
Entre estas, encontram-se muitas hortaliças, tais como batata,
pimentão, berinjela, ervilha, cebola, alface, plantas
ornamentais perenes e anuais, e plantas silvestres. Entre as
não-cultivadas temos maria-pretinha, datura, caruru, picão,
beldroega, serralha, emilia, erva-de-santa-maria e mostarda.
A disseminação do patógeno ocorre somente pelo tripes e de
maneira persistente.
A espécie mais importante, no Estado de São Paulo, é
Frankliniella schultzei.
O tripes adquire o vírus somente durante o estádio
larval e só o transmite após atingir o estádio adulto.
Controle
- Rotação com espécies não suscetíveis como milho e
couve-flor, mantendo as culturas no limpo.
- Evitar o plantio próximo a lavouras suscetíveis ao
vírus.
- Eliminar hospedeiros alternativos do vetor.
- Plantio do tomateiro fora da época quente e úmida do
ano, onde a incidência do vetor é maior.
- Plantio, quando possível, em áreas de maior altitude.
- Uso de mudas livres de vírus.
- Aplicação regular de inseticidas granulados e
sistêmicos complementares.
- Implantar barreiras vivas com milho ou crotalaria ao
redor da lavoura, dificultando a migração do vetor.
- Na fase de pós-colheita, recomenda-se o alqueive de
áreas com alta incidência da doença.
- Uso de cultivares resistentes como "Stevens",
originário da África do Sul.
- Linhagens que possuem resistência proveniente deste
cultivar vêm sendo testadas.
MOSAICO COMUM
- "Tomato mosaic virus"- TOMV
Ocorre principalmente no final do ciclo da cultura. Apesar de
ser cosmopolita, de fácil transmissão e de distribuição
generalizada, o TOMV não é o vírus mais importante do
tomateiro, pois a produção só é reduzida se a infecção
ocorrer no início da cultura. No entanto, com a introdução da
variedades muito suscetíveis, a incidência de TOMV vem
aumentando, acarretando perdas significativas nas principais
regiões produtoras do Estado de São Paulo.
Sintomas
- As folhas mostram sintomas de mosaico, enrugamento e
ligeira curvatura do bordo foliar, para cima.
- Plantas infectadas têm porte reduzido e vasos
descoloridos.
- Nos frutos, aparecem manchas amareladas e, no mesocarpo,
manchas necróticas.
- Dependendo da estirpe, pode ocorrer maturação
irregular, "isoporização" do fruto e sintoma
mais evidente de mosaico.
Além de possuir vários hospedeiros, o TOMV pode sobreviver
em sementes e restos de folhas e raízes.
Não se conhece nenhum vetor específico. Os mais importantes
meios de transmissão são ferramentas ou instrumentos utilizados
durante as operações culturais e as próprias mãos do
operador.
Controle
- Utilização de sementes sadias.
- Tratamentos de sementes com solução l % de fosfato
trisódio por 15 minutos ou com ar quente (2 a 4 dias a
70"C). Lavar as mãos com água e sabão, não
devendo fumar cigarro de palha ou cachimbo, que podem
conter o vírus. Durante os tratos culturais, deve-se
evitar o contato com plantas doentes, e a ordem de
serviços deve ser sempre das plantas novas para as mais
velhas.
- Uso de cultivares resistentes ou tolerantes
como"Angela" e "Carmen"
RISCA OU
MOSAICO Y - "Potato Virus Y" -
PVY
É uma virose comum na cultura do tomateiro em épocas frias e
secas do ano. Estimativas feitas no Brasil indicam que,
dependendo da idade da planta e da época de infecção, esta
virose pode acarretar perdas de 20 a 70% na produção.
Sintomas
- Aparecem com maior freqüência em plantas com 30 a 60
dias.
- Folíolos terminais e laterais arqueados para baixo, com
mosaico internerval.
- Na página inferior, observa-se o aparecimento de riscas
e anéis necróticos ao longo das nervuras terciárias.
-
Redução no crescimento e ciclo mais curto.
- O pegamento do fruto é seriamente prejudicado
- Quando o mosaico Y e o mosaico comum (TOMV) ocorrem
concomitantemente, o quadro sintomatológico torna-se
mais severo do que os produzidos por cada virose
isoladamente.
Culturas abandonadas de solanáceas como tomateiro, pimentão,
pimentas, batata, berinjela, jiló e fumo e várias ervas
daninhas como, maria pretinha, juá, e fedegoso são fontes
de inóculo.
A transmissão se dá principalmente por pulgões.
Controle
- Sementeiras, canteiros e plantações definitivas de
tomateiro devem ser isoladas de plantações de
pimentão, pimenta, hortas, jardins e plantios mais
velhos de tomateiro.
- O controle de insetos vetores deve ser feito na fase de
canteiro e campo, através de pulverizações
sistemáticas de inseticidas ou de
granulados no solo.
- Uso de cultivares resistentes, tais como Ângela,
constitui uma maneira eficiente de controle.
AMARELOS
"Tomato Yellow Top Virus" - TOYTV e
"Tomato Bottom Leaf Yellow Virus" - TBLYV
Vírus causais dos amarelos causam duas viroses distintas no
tomateiro: o topo amarelo e o amarelo baixeiro. O topo amarelo
causa maior prejuízo à produção, principalmente nos períodos
mais secos e frescos do ano. Contudo, o amarelo baixeiro, ou
enrolamento, que é mais comum no fim do ciclo da cultura, atinge
incidência elevada, afetando o número e tamanho dos frutos.
Sintomas
- O topo amarelo é observado na região apical da planta e
caracterizado por:
- Amarelecimento dos ponteiros.
- Crescimento retardado e acentuado enrolamento e
amarelecimento das folhas basais.
- Folíolos mostram clorose marginal e enrolamento,
assemelhando-se a uma colher.
- A formação de flores e frutos é drasticamente reduzida (até 85%).
- Os frutos ficam deformados, com faixas no ombro, e pouco
espessos.
- No amarelo baixeiro observa-se, nas folhas basais, áreas
amareladas distribuídas irregularmente no folíolo,
originando ilhas verdes normais distribuídas ao acaso.
- Normalmente, observa-se o enrolamento dos folíolos para
cima.
- O amarelecimento progride para as folhas medianas e, mais
tarde, as áreas amarelas podem tornar-se arroxeadas.
Sintomas de amarelo baixeiro podem ser confundidos com os
de deficiência de magnésio ou com o enrolamento
fisiológico da folha.
- A deficiência de magnésio é caracterizada por um
amarelecimento intemerval, da periferia para o centro,
com a tendência de formar um V na base do folíolo,
afetando todas as planta na área deficiente.
- O enrolamento fisiológico, por outro lado, atinge, desde
o início, todas as plantas de forma uniforme, ao
contrário do amarelo baixeiro que, no início, ocorre de
forma aleatória na cultura.
Esses vírus têm uma ampla gama de hospedeiros, que inclui
espécies de várias famílias botânicas.São transmitidos por afídeos, incluindo Myzus persicae.
Não é conhecida sua transmissão por semente.
Controle
- Destruição de ervas daninhas hospedeiras dos vírus
(maria-pretinha e Datura stramonium)
- Produção de mudas em viveiros longe de hospedeiros dos
vírus ou em estufas com telas à prova de afídeos.
- Uso de inseticidas sistêmicos para eliminar afídeos
vetores.
BROTO CRESPO
- Geminivirus
Esta doença raramente causa sérios problemas em tomateiro
rasteiro. Pode, no entanto, causar grandes perdas em tomateiro
estaqueado, em plantios de inverno, quando a movimentação de
vetores é maior devido à não existência de hospedeiros
alternativos.
Sintomas
- Folhas novas com nervuras descoloridas e limbo enrolado
para cima.
- Tornam-se espessas e quebradiças, apresentando várias
tonalidades de coloração amarela entremeadas com
púrpura. Nervuras podem apresentar intensa coloração
roxa, ficando salientes.
- A planta torna-se enfezada, ereta, coriácea e com
superbrotamento.
- A qualidade dos frutos é alterada.
- Pode assemelhar-se ao de vira-cabeça, pois, muitas
vezes, a planta doente apresenta topo com coloração
roxa.
- A ausência de necrose nos folíolos, verificada no broto
crespo, diferencia, , estas duas doenças.
A transmissão dá-se exclusivamente através de insetos
vetores que são as cigarrinhas.
A cigarrinha transmite o vírus para uma vasta gama de
hospedeiros, de diversas famílias famílias . Além do
tomateiro, outras culturas são afetadas, tais como beterraba,
espinafre, cucurbitáceas e feijoeiro.
Controle
- Aplicação de inseticidas em ervas daninhas para
prevenir a migração de cigarrinha para o tomateiro é
prática recomendada.
- Aplicação de inseticida diretamente em lavoura de tomate.
- Eliminação de ervas daninhas hospedeiras, como
maria-pretinha, carrapicho-de-carneiro e outras
solanáceas.
MOSAICO DOURADO
- Geminivirus
Apesar de muito freqüente no Brasil essa virose é ainda pouco estudada.
Não raramente encontram-se lavouras com a quase totalidade das plantas
afetadas, embora não se tenha dados sobre os prejuízos provocados.
Os sintomas começam por amarelecimento das nervuras das folhas mais novas
(amarelecimento em rede) que depois se estende por todo o limbo (amarelecimento
em faixas), mais freqüentemente na base do folíolo.
A transmissão se dá pela mosca branca (Bemisia tabaci) de forma
persistente e as solanáceas são consideradas hospedeiras do vírus.
Para controle, apesar da falta de estudos, recomenda-se evitar proximidade de
culturas hospedeiras, manter a cultura no limpo, escolher a época de plantio o
mais afastada possível do fim do ciclo da soja pois, com a maturação dessa
cultura e a desfolha natural, a mosca migra para a cultura do tomateiro. O uso
de inseticidas na cultura e vizinhanças reduz a incidência da
doença.
CÁLICE
GIGANTE - Phytoplasma sp.
O cálice gigante do tomateiro tem sido relatado no Brasil,
causando perdas em torno de 30 %. Embora vastamente distribuída,
a doença tem pequena importância econômica. Em adição ao
tomateiro, outras culturas são afetadas como alface, pimentão,
berinjela e batata.
Sintomas
- Engrossamento apical e rigidez dos ramos.
- Internódios curtos, botões florais super-desenvolvidos,
verdes, assépalos e não formam frutos.
- Desenvolvimento irregular e produção de um número
excessivo de raízes aéreas.
- Fruto imaturo, quando infectado, torna-se deformado.
- Folhas pequenas, torcidas e de coloração
verde-amarelada.
Os principais vetores são as cigarrinhas.
Controle
- Destruição de ervas daninhas hospedeiras na periferia
da lavoura.
- Aplicação de inseticidas visando ao controle das
cigarrinhas e outros insetos.
IV Outras Doenças
DAMPING-OFF OU TOMBAMENTO Vários
Agentes
É muito freqüente em mudas de tomateiro, causada por vários
fungos que, geralmente, sobrevivem no solo em matéria orgânica.
Quando o solo apresenta alta concentração de inóculo,
principalmente de Pythium e Rhizoctonia, o caulículo e a
radícula são destruidos pelos patógenos antes da emergência
das plântulas ("damping-off' de pré-emergência), dando a
impressão de má germinação das sementes. Podem ainda provocar
morte de mudas, causando o seu tombamento ("damping-off 'de
pós-emergência). Em geral, a doença ocorre em reboleiras nos canteiros ou ao longo das
linhas de semeadura.
Sintomas
- Murcha, tombamento e morte de mudas
- Afinamento e necrose na região do colo.
- Os patógenos podem ser disseminados pela água e tudo que
transporta solo contaminado.
Esses patógenos vivem saprofiticamente como habitantes do
solo e muitos são polífagos.
Algumas espécies, desenvolvem-se melhor a alta
temperatura (30ºC ou mais), enquanto que outras, são
favorecidas por baixas temperaturas (menos de 20ºC).
Controle
- Evitar solos sujeitos a inundação.
- Adubar com adubo orgânico para melhorar as
características físicas, químicas e equilibrar a
microfiora do solo.
- Não irrigar em excesso para evitar encharcamento do solo
e nem utilizar água de qualidade suspeita.
- Tratar as sementes com fungicidas, tais como thiram, captan,
metalaxyl-mancozeb.
- Regar uma a duas vezes o canteiro com fungicida metalaxyl-mancozeb, com intervalo semanal, após a
emergência.
- Tratamento do solo por fumigação com brometo de metila,
formol ou dazomet ou por solarização.
- Se for constatado "damping-off", reduzir a
irrigação ao mínimo, eliminar as mudas doentes com
parte do solo.
- Regar o solo com fungicidas, como metalaxyl-mancozeb,
mancozeb ou cúprico.
OÍDlOS
- Leveillula taurica (Lev.) Arnaud. e Oidium
lycopersici Cooke & Mass.
Ambos patógenos causam doenças
conhecidas como oídios. Entretanto, os
sintomas são bem distintos, bem como as condições de
temperatura para tornarem-se importantes. No Brasil, a doença
ocorre, principalmente, nas regiões de Petrolina (Pernambuco) e
Juazeiro (Bahia), mas já foram obsevados danos em São Paulo.
Sintomas
O fungo tem várias outras hopedeiras e é disseminados pelo
vento.
Temperaturas acima de 30ºC podem acelerar o desenvolvimento
de sintomas de amarelamento e necrose dos tecidos. A presença de
água livre nas folhas desfavorece o desenvolvimento do fungo.
Controle
- O controle indicado é a aplicação de fungicidas.
- Produtos à base de enxofre e benomyl são recomendados.
MOFO BRANCO
- Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) De Bary e
Sclerotinia minor Jagger
Esta constitui problema sério sob condições de temperatura
amena e de muita umidade em culturas irrigadas, principalmente
com pivô central.
Sintomas
- A região afetada apresenta cor pardo-escura no início e
depois esbranquiçada.
- O caule, torna-se quebradiço e exibe, externamente e/ou
na medula, numerosos escleródios
de cor negra.
- Em condições de alta umidade, surge um crescimento
branco vigoroso do fungo.
- As partes acima da região afetada murcham e secam.
A presença de tecido necrosado e senescente favorece a
germinação e o desenvolvimento do fungo a partir de
ascósporos, pois estes raramente causam doença em tecidos
íntegros.
A disseminação a longas distâncias se dá pelo vento,
levando ascósporos. Já os escleródios são disseminados por mecanismos de transporte de solo
contaminado.
Os fungos atacam cerca de 200 espécies de plantas de 39
famílias, sendo muito comum em solanáceas, compostas, bracicáceas e fabáceas.
Controle
- Rotação de culturas, principalmente com gramíneas.
- Evitar plantio em solos contaminados.
- Aração profunda de tal forma que inverta bem as camadas
do solo.
- Pulverização com fungicidas tais como iprodione e
procimidone.
MOFO CINZENTO
- Botrytis cinerea Pers.
Esta doença não tem constituído problema para a cultura. Em
geral, ocorre sob condições de alta umidade e temperatura
amena. Os órgãos afetados apresentam-se necrosados e com
abundante mofo cinzento. Pulverizações normais da cultura
controlam esta doença.
PODRIDÃO
DE SCLEROTIUM - Sclerotium rolfsii
Sacc.
É uma doença comum em tomateiro mas não chega a ser
preocupante em nossas condições. Plantas afetadas murcham ou
ficam enfezadas em conseqüência de necrose na região do colo,
quase sempre circunscrevendo o caule. Em condições de alta
umidade, verifica-se crescimento micelial branco que se
desenvolve junto ao tecido doente, formando numerosos
escleródios pequenos, arredondados de cor branca no início e
depois pardo-escura. O patógeno pode atacar também frutos em contato com o solo contaminado,
provocando podridão. O fungo pode permanecer viável no solo,
em forma de escleródio, por até cinco anos. Entretanto, pode
permanecer por muito mais tempo, infectando outras espécies de plantas. As
medidas de controle de outras doenças propiciam bom controle de
podridão de Sclerotium, mas, em caso de controle químico, os
fungicidas à base de iprodione, PCNB e procimidone são os
recomendados.
MANCHA
DE CLADOSPORIUM - Cladosporium fulvum
Cooke.
Esta é uma doença que ocorre principalmente sob condições
de estufa, quando a umidade é muita alta e a temperatura está na
faixa de 21 a 25ºC. O fungo pode atacar toda a parte aérea das
plantas, mas a maior incidência ocorre nas folhas e no caule.
Nas folhas manifesta-se como áreas amarelas na face superior e
crescimento micelial e frutificação do fungo, de cor oliva a
púrpura, na face inferior. Mais tarde, essas áreas tomam-se
necróticas, podendo provocar desfolha da planta quando ocorre
coalescência de muitas manchas. Para o controle da doença, em
condições de estufa, recomenda-se promover arejamento interno,
pois os conídios do fungo germinam em água livre. Deve-se
também eliminar restos de cultura, tratar sementes em água
quente a 55ºC por 6 horas ou com fungicidas e, se necessário,
pulverizar com fungicidas.
PODRIDÃO
DE PHOMA - Phoma destructiva Plowr.
É uma doença de importância secundária. O fungo afeta
principalmente os frutos, mas os limbos e pecíolos também podem
ser atacados. Nos frutos, as lesões são circulares com 1 a 2 cm
de diâmetro, deprimidas, com bordos bem definidos, de
coloração pardo-escura e presença de grande quantidade de
picnídios escuros. Em nossas condições, a doença não
exige medidas especiais de controle pois é controlada por
tratamentos dispensados a outras doenças.
PODRIDÃO
DO COLO E DA RAIZ -
Fusarium oxysporum f. sp. radicis-lycopersici Jarvis
& Shoemaker.
Esta doença ainda não foi constatada no Brasil embora haja
suspeita de sua ocorrência. Plantas infectadas apresentam folhas
amareladas, depois murcham e podem morrer em decorrência da
necrose da região do colo e das raízes. O controle
recomendado é semelhante ao indicado para fungos do solo.
PODRIDÃO
CORTICOSA DA RAIZ
- Pyrenochaeta lycopersici Shneider &
Gerlach.
A doença é conhecida também como podridão parda da raiz.
Sua ocorrência é maior sob temperaturas amenas, estando o
ótimo na faixa de 15 a 20ºC. O fungo provoca necrose dos pêlos
absorventes e lesão de cor parda nas raízes mais finas ou
lesões corticosas típicas nas mais velhas e grossas.
CANCRO DA
HASTE - Alternaria alternata
f. sp. lycopersici Grogan et al.
Esta doença pode ser confundida com pinta preta, porque o
agente causal pertence ao mesmo gênero. Entretanto, os sintomas
são distintos, porque A. alternara causa cancros
de cor parda a negra com zonas concêntricas no caule próximo
à linha do solo ou pouco acima. Aparecem com freqüência grandes
cancros associados aos ferimentos no caule. O xilema apresenta descoloração que pode se estender
de 4 a 7 cm
acima e abaixo dos cancros. Sintomas nas folhas manifestam-se
como áreas pardo-escuras a pretas de tecido necrótico
internerval. Nos frutos, o sintoma é uma lesão necrótica
deprimida, pardo-escura, freqüentemente com anéis
concêntricos. A doença ocorre em condições de alta umidade e
tem sido controlada eficientemente com cultivares resistentes.
QUEIMA
BACTERIANA - Pseudomonas syringae
pv. syringae van Hall
É uma doença pouco conhecida e de ocorrência esporádica.
No Brasil, o primeiro relato desta bacteriose data de 1994. As plantas afetadas
apresentam sintomas de necrose nas folhas, nos pecíolos e nos
caules, sendo mais comum nas folhas. Lesões
necróticas nos folíolos são circulares ou irregulares, maiores
que a pinta bacteriana, e o halo amarelo é pouco acentuado.
Verifica-se intensa necrose dos bordos dos folíolos.
TALO OCO
- Erwinia carotovora subsp. carotovora
(Jones) Bergey et al.
É uma doença muito comum em tomateiro, mas sua ocorrência
está na dependência das condições ambientais e do estado
nutricional das plantas, acentuando-se a partir do início da
frutificação. Folhas murcham e as mais velhas amarelecem. O
caule da planta apresenta-se encharcado e enegrecido e é
facilmente esmagado, daí a denominação talo oco. As plantas
afetadas geralmente morrem precocemente no início da colheita. A
bactéria sobrevive como saprófita nos solos na ausência de
hospedeiros. Temperaturas entre 25 e 30ºC e umidade relativa
próxima a 100% são condições favoráveis ao desenvolvimento
desta doença assim como adubação excessiva de nitrogênio.
Adubação equilibrada, plantio em solos bem drenados, arejamento
das plantas através de espaçamentos adequados, controle de
insetos subterrâneos e mastigadores para reduzir ferimentos e
rotação de culturas com gramíneas são alternativas de
controle. O controle químico do talo oco é pouco eficiente.
NECROSE
DA MEDULA - Pseudomonas corrugata
Roberts & Scarlett
É uma doença descrita somente
para o tomateiro estaqueado e é pouco conhecida e estudada no
Brasil. Sua ocorrência está associada a plantas vigorosas na
época de frutificação. Os sintomas externos são muito
semelhantes aos do talo oco, mas não há desintegração da
medula do caule ou do pecíolo. Quando a bactéria coloniza a
região de inserção da folha com o caule, a folha apresenta-se
totalmente amarela de cor "gema-de-ovo".
Posteriormente, com a colonização do pecíolo e da nervura
central, todo o tecido necrosa, murcha e seca.
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