BOLETIM TÉCNICO(Atualizado em 1999)

DOENÇAS DO TOMATEIRO (Lycopersicon esculentum Mill.)

Autores: BARRETO, M & SCALOPPI, E.A.G.

SUMÁRIO

I - Doenças Foliares

  1. REQUEIMA - Phytophthora infestans
  2. PINTA PRETA - Alternaria solani
  3. SEPTORIOSE - Septoria lycopersici
  4. MANCHA DE STEMPHYLIUM - Stemphylium solani
  5. MANCHA BACTERIANA - Xanthomonas campestris pv. vesicatoria
  6. MANCHA BACTERIANA PEQUENA - Pseudomonas syringae pv. tomato

II – Cancros

  1. CANCRO BACTERIANO - Clavibacter michiganense subsp. michiganense
  2. CANCRO DA HASTE - Alternaria alternata f. sp. lycopersici

II – Murchas

  1. MURCHA BACTERIANA - Ralstonia solanacearum
  2. MURCHA DE FUSARIUM - Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici
  3. MURCHA DE VERTICILLIUM - Verticillium dahliae

III – Viroses

  1. VIRA-CABEÇA - Tospovirus
  2. MOSAICO COMUM - "Tomato mosaic virus"- TOMV
  3. RISCA OU MOSAICO Y - "Potato Virus Y" - PVY
  4. AMARELOS – "Tomato Yellow Top Virus" - TOYTV e "Tomato Bottom Leaf Yellow Virus" - TBLYV
  5. BROTO CRESPO - Geminivirus
  6. MOSAICO DOURADO - Geminivirus
  7. CÁLICE GIGANTE - Phytoplasma sp.

IV – Outras Doenças

  1. DAMPING-OFF OU TOMBAMENTO – Vários Agentes
  2. OÍDlOS - Leveillula taurica e Oidium lycopersici
  3. MOFO BRANCO - Sclerotinia sclerotiorum e Sclerotinia minor
  4. MOFO CINZENTO - Botrytis cinerea
  5. PODRIDÃO DE SCLEROTIUM - Sclerotium rolfsii
  6. MANCHA DE CLADOSPORIUM - Cladosporium fulvum
  7. PODRIDÃO DE PHOMA - Phoma destructiva
  8. PODRIDÃO DO COLO E DA RAIZ - Fusarium oxysporum f. sp. radicis-lycopersici
  9. PODRIDÃO CORTICOSA DA RAIZ - Pyrenochaeta lycopersici
  10. QUEIMA BACTERIANA - Pseudomonas syringae pv. syringae
  11. TALO OCO - Erwinia carotovora subsp. carotovora
  12. NECROSE DA MEDULA - Pseudomonas corrugata
  13. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

I - Doenças Foliares

REQUEIMA - Phytophthora infestans (Mont) De Bary

Esta doença ocorre em todas as regiões do globo onde se cultivam o tomateiro e a batata. A requeima é uma doença altamente destrutiva, pela rapidez com que evolui. Está relacionada à ocorrência de baixa temperatura e alta umidade. Em áreas sujeitas a freqüentes cerrações ou em épocas com muito orvalho, a doença pode constituir sério problema à cultura, caso não sejam tomadas medidas de controle.

Sintomas

A doença é favorecida por períodos de alta umidade relativa (90 - 100%) e de temperaturas entre 18 e 22ºC.

A disseminação do patógeno é feita principalmente por vento e chuva.

Controle

Considerando-se que, hoje, todas as variedades e híbridos cultivados comercialmente são suscetíveis, o método mais eficiente de controle é o químico.

PINTA PRETA - Alternaria solani (Ell. & Martin) Jones & Grout.

Esta doença ocorre em todas as regiões onde o tomateiro é cultivado. Sua maior incidência é constatada em condições de alta umidade e temperaturas entre 25 e 30ºC. Entretanto, a pinta preta pode ocorrer também em clima semi-árido, onde é verificado orvalho com freqüência. Quando não controlada adequadamente, a doença pode causar severa destruição foliar, o que pode acarretar queima dos frutos pelo sol, redução do número, tamanho, e qualidade dos mesmos.

Sintomas

Conídios são disseminados principalmente pelo vento, insetos, sementes, trabalhadores e implementos.

A sobrevivência se dá principalmente em restos de cultura.

Além do tomateiro, A. solani afeta outras solanáceas, entre as quais a batata, a berinjela, o pimentão e o jiló.

Controle

SEPTORIOSE - Septoria lycopersici Speg.

Esta doença é particularmente severa em áreas de umidade elevada, principalmente em épocas de temperatura moderada. Nessas condições, as folhas, a partir das mais velhas, são destruídas, expondo os frutos à queima pelo.

Sintomas

As principais fontes de inóculo são sementes, restos de cultura, estacas já usadas e espécies selvagens de solanáceas como maria-pretinha, Solanum carolinenses, Physalis spp. e Datura stramonium.

A disseminação é feita por respingos d'água, mas trabalhadores, implementos agrícolas e insetos, também podem disseminar o fungo.

Longos períodos de alta umidade relativa, temperatura amena e chuvas abundantes constituem condições ideais para o desenvolvimento da doença e disseminação do patógeno.

Controle

As medidas de controle recomendadas para requeima e pinta preta, acrescidas de fungicidas sistêmicos mais específicos como benomyl, tiofanato metílico, carbendazin e tiabendazol são suficientes para o controle desta doença.

MANCHA DE STEMPHYLIUM - Stemphylium solani Weber

Embora constitua uma doença muito destrutiva, tornou-se secundária no Brasil, nos últimos 20 anos, porque as variedades e híbridos mais plantados, tanto para mesa (estaqueado) como para indústria (rasteiro), são resistentes. Entretanto ainda é possível verificar alguns surtos da doença. Geralmente é tardia, mas quando o ataque é precoce, o desenvolvimento da planta é muito afetado.

Sintomas

O fungo sobrevive em restos culturais no solo, em plantas tigüera ou em diversas solanáceas cultivadas como jiló, batata, pimentão e pimenta ou nativas.

O fungo é disseminado por sementes, mudas infectadas e insetos, mas o principal agente é o vento.

É favorecida por água livre nas folhas (orvalho, água da chuva ou de irrigação) e temperatura entre 25-28ºC.

Controle

MANCHA BACTERIANA - Xanthomonas campestris pv. vesicatoria (Doidge) Dye et al.

É uma doença de ocorrência muito freqüente e destrutiva em condições de elevada umidade e precipitação e temperaturas entre 20 e 30ºC.

Sintomas

O patógeno pode sobreviver em restos de cultura e em outras plantas hospedeiras, tais como pimentas, pimentão, berinjela, batata, tomateiro selvagem, Solanum nigrum, Datura spp. e Physalis spp.

Epidemias são favorecidas por condições de alta umidade. Ventos fortes associados a chuvas pesadas também favorecem a disseminação da bactéria dentro da cultura ou entre culturas próximas. A disseminação planta a planta ocorre também por respingos de água da chuva ou irrigação por aspersão, implementos agrícolas, pelos trabalhadores durante os tratos culturais e, à longa distância, por meio de sementes contaminadas.

Controle

MANCHA BACTERIANA PEQUENA - Pseudomonas syringae pv. tomato (Okabe) Young, Dye & Wilkie

Também conhecida por Pinta Bacteriana, é uma doença muito importante em condições de alta umidade e temperaturas entre 18 e 25ºC, devido, principalmente, à inexistência de variedades e híbridos resistentes.

Sintomas

Controle

II – Cancros

CANCRO BACTERIANO - Clavibacter michiganense subsp. michiganense (Smith) Davis et al.

Para o tomateiro estaqueado é uma das doenças mais importantes, pois pode destruir grande parte da plantação. É menos importante para o tomateiro industrial, devido, provavelmente, ao tipo de cultivo onde não são feitas desbrotas e tutoramento das plantas, mas a ocorrência vem aumentando nos últimos anos.

Sintomas

A bactéria pode sobreviver em restos de cultura e em outras plantas da família das Solanáceas.

As condições favoráveis ao desenvolvimento da bactéria são temperaturas entre 24 e 28ºC e alta umidade.

Controle

O controle só é eficiente quando se aplica um conjunto de medidas  preventivas, tais como:

III – Murchas

MURCHA BACTERIANA - Ralstonia solanacearum (Smith) Yabuuchi et al.

É uma doença muito importante em regiões de clima tropical e subtropical. Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, é a doença mais importante do tomateiro, pois impede seu plantio em muitas áreas. Em outras regiões brasileiras, sua ocorrência é comum, principalmente nos meses mais quentes do ano.

Sintomas

A sobrevivência da bactéria é favorecida pela umidade e os maiores índices de doença ocorrem em solos pesados, úmidos e em temperaturas do solo entre 24 e 35ºC. Em temperaturas do solo abaixo de 2lºC, o tomateiro pode ser infectado mas não exibir sintomas. No Brasil, não raramente, constata-se a ocorrência de murcha bacteriana em tomateiro e batata, conhecida como "campo biô", quando se instala essas culturas em áreas do cerrado recém-desbravadas. A bactéria faz parte da microflora da vegetação do cerrado. Em geral, a bactéria deixa de ser problema ao tomateiro ou à batata após 2 a 3 anos de cultivo, principalmente, com gramíneas.

A disseminação da bactéria dá-se através de água, solo, tratos culturais, implementos agrícolas, homem, insetos, mudas contaminadas, estercos contaminados, etc.

A bactéria é patogênica a mais de 200 espécies de 33 famílias botânicas, sendo mais comum em solanáceas (tomateiro, fumo, batata e pimentão), compostas e musáceas.

Controle

MURCHA DE FUSARIUM - Fusarium oxysporum f. sp. lycopersici Snyder & Hansen

A murcha de Fusarium é uma doença que ocorre em todas as regiões onde o tomateiro é cultivado. No Brasil, já foi uma doença muito importante para o tomateiro estaqueado, quando se plantavam variedades suscetíveis. Com a obtenção de variedades resistentes a doença deixou de ser importante.

Sintomas

A sobrevivência se dá principalmente pelos clamidósporos que permanecem viáveis no solo por mais de 10 anos.

A disseminação do fungo a longa distância é feita principalmente por sementes. Vento, água, tratos culturais e implementos agrícolas são responsáveis pela disseminação a curta distância.

O desenvolvimento da doença é favorecido por temperaturas entre 21 e 33ºC, sendo o ótimo a 28ºC. Plantas crescendo em solos ácidos, pobres, com pouca água e deficientes em cálcio, tendem a ser mais afetadas.

Controle

MURCHA DE VERTICILLIUM - Verticillium dahliae Kleb

A murcha de Verticillium ocorre em todas as regiões onde se cultiva o tomateiro. Também nesse caso a importância foi reduzida pela introdução de cultivares resistentes. Além disso doença é mais importante em condições de temperaturas amenas e em solos levemente ácidos a neutros, que não prevalecem na maioria das regiões produtoras do Brasil. Entretanto, tem-se constatado elevados prejuízos devidos à murcha de Verticillium, principalmente no cultivar Ângela que é altamente suscetível à raça 1. O cultivar Santa Clara e outros, resistentes à raça 1, também têm sido afetados pela doença. No momento, não há nenhum híbrido ou variedade resistente à(s) raça(s) 2 e 3 que ocorrem no Estado de São Paulo

Sintomas

O patógeno parasita cerca de 200 espécies de plantas entre solanáceas, malváceas, fabáceas e plantas de outras famílias, tanto cultivadas como silvestres. Além disso, o fungo pode sobreviver no solo em forma de microescleródios por vários anos.

Controle

III – Viroses

VIRA-CABEÇA - Tospovirus

Trata-se da virose mais importante da cultura, tanto pelos danos que provoca como pelas dificuldades e custo de controle. Danos em cultivos comerciais podem ser extremamente altos, com incidência em torno de 50 a 90 %, principalmente entre novembro e abril, período mais favorável à proliferação do tripes vetor.

Sintomas

Os Tospovirus possuem uma ampla gama de hospedeiros, incluindo mais de 500 espécies distribuídas em mais de 50 famílias. Entre estas, encontram-se muitas hortaliças, tais como batata, pimentão, berinjela, ervilha, cebola, alface, plantas ornamentais perenes e anuais, e plantas silvestres. Entre as não-cultivadas temos maria-pretinha, datura, caruru, picão, beldroega, serralha, emilia, erva-de-santa-maria e mostarda.

A disseminação do patógeno ocorre somente pelo tripes e de maneira persistente.

A espécie mais importante, no Estado de São Paulo, é Frankliniella schultzei.

O tripes adquire o vírus somente durante o estádio larval e só o transmite após atingir o estádio adulto.

Controle

MOSAICO COMUM - "Tomato mosaic virus"- TOMV

Ocorre principalmente no final do ciclo da cultura. Apesar de ser cosmopolita, de fácil transmissão e de distribuição generalizada, o TOMV não é o vírus mais importante do tomateiro, pois a produção só é reduzida se a infecção ocorrer no início da cultura. No entanto, com a introdução da variedades muito suscetíveis, a incidência de TOMV vem aumentando, acarretando perdas significativas nas principais regiões produtoras do Estado de São Paulo.

Sintomas

Além de possuir vários hospedeiros, o TOMV pode sobreviver em sementes e restos de folhas e raízes.

Não se conhece nenhum vetor específico. Os mais importantes meios de transmissão são ferramentas ou instrumentos utilizados durante as operações culturais e as próprias mãos do operador.

Controle

RISCA OU MOSAICO Y - "Potato Virus Y" - PVY

É uma virose comum na cultura do tomateiro em épocas frias e secas do ano. Estimativas feitas no Brasil indicam que, dependendo da idade da planta e da época de infecção, esta virose pode acarretar perdas de 20 a 70% na produção.

Sintomas

Culturas abandonadas de solanáceas como tomateiro, pimentão, pimentas, batata, berinjela, jiló e fumo e várias ervas daninhas como, maria pretinha, juá, e fedegoso são fontes de inóculo.

A transmissão se dá principalmente por pulgões.

Controle

AMARELOS – "Tomato Yellow Top Virus" - TOYTV e "Tomato Bottom Leaf Yellow Virus" - TBLYV

Vírus causais dos amarelos causam duas viroses distintas no tomateiro: o topo amarelo e o amarelo baixeiro. O topo amarelo causa maior prejuízo à produção, principalmente nos períodos mais secos e frescos do ano. Contudo, o amarelo baixeiro, ou enrolamento, que é mais comum no fim do ciclo da cultura, atinge incidência elevada, afetando o número e tamanho dos frutos.

Sintomas

Esses vírus têm uma ampla gama de hospedeiros, que inclui espécies de várias famílias botânicas.São transmitidos por afídeos, incluindo Myzus persicae. Não é conhecida sua transmissão por semente.

Controle

BROTO CRESPO - Geminivirus

Esta doença raramente causa sérios problemas em tomateiro rasteiro. Pode, no entanto, causar grandes perdas em tomateiro estaqueado, em plantios de inverno, quando a movimentação de vetores é maior devido à não existência de hospedeiros alternativos.

Sintomas

A transmissão dá-se exclusivamente através de insetos vetores que são as cigarrinhas.

A cigarrinha transmite o vírus para uma vasta gama de hospedeiros, de diversas famílias famílias . Além do tomateiro, outras culturas são afetadas, tais como beterraba, espinafre, cucurbitáceas e feijoeiro.

Controle

MOSAICO DOURADO - Geminivirus

Apesar de muito freqüente no Brasil essa virose é ainda pouco estudada. Não raramente encontram-se lavouras com a quase totalidade das plantas afetadas, embora não se tenha dados sobre os prejuízos provocados.

Os sintomas começam por amarelecimento das nervuras das folhas mais novas (amarelecimento em rede) que depois se estende por todo o limbo (amarelecimento em faixas), mais freqüentemente na base do folíolo.

A transmissão se dá pela mosca branca (Bemisia tabaci) de forma persistente e as solanáceas são consideradas hospedeiras do vírus.

Para controle, apesar da falta de estudos, recomenda-se evitar proximidade de culturas hospedeiras, manter a cultura no limpo, escolher a época de plantio o mais afastada possível do fim do ciclo da soja pois, com a maturação dessa cultura e a desfolha natural, a mosca migra para a cultura do tomateiro. O uso de inseticidas na cultura e vizinhanças reduz a  incidência da doença. 

CÁLICE GIGANTE - Phytoplasma sp.

O cálice gigante do tomateiro tem sido relatado no Brasil, causando perdas em torno de 30 %. Embora vastamente distribuída, a doença tem pequena importância econômica. Em adição ao tomateiro, outras culturas são afetadas como alface, pimentão, berinjela e batata.

Sintomas

Os principais vetores são as cigarrinhas.

Controle

IV – Outras Doenças

DAMPING-OFF OU TOMBAMENTO – Vários Agentes

É muito freqüente em mudas de tomateiro, causada por vários fungos que, geralmente, sobrevivem no solo em matéria orgânica. Quando o solo apresenta alta concentração de inóculo, principalmente de Pythium e Rhizoctonia, o caulículo e a radícula são destruidos pelos patógenos antes da emergência das plântulas ("damping-off' de pré-emergência), dando a impressão de má germinação das sementes. Podem ainda provocar morte de mudas, causando o seu tombamento ("damping-off 'de pós-emergência). Em geral, a doença ocorre em reboleiras nos canteiros ou ao longo das linhas de semeadura.

Sintomas

Esses patógenos vivem saprofiticamente como habitantes do solo e muitos são polífagos.

Algumas espécies, desenvolvem-se melhor a alta temperatura (30ºC ou mais), enquanto que outras, são favorecidas por baixas temperaturas (menos de 20ºC).

Controle

OÍDlOS - Leveillula taurica (Lev.) Arnaud. e Oidium lycopersici Cooke & Mass.

Ambos patógenos causam doenças conhecidas como oídios. Entretanto, os sintomas são bem distintos, bem como as condições de temperatura para tornarem-se importantes. No Brasil, a doença ocorre, principalmente, nas regiões de Petrolina (Pernambuco) e Juazeiro (Bahia), mas já foram obsevados danos em São Paulo.

Sintomas

O fungo tem várias outras hopedeiras e é disseminados pelo vento.

Temperaturas acima de 30ºC podem acelerar o desenvolvimento de sintomas de amarelamento e necrose dos tecidos. A presença de água livre nas folhas desfavorece o desenvolvimento do fungo.

Controle

MOFO BRANCO - Sclerotinia sclerotiorum (Lib.) De Bary e Sclerotinia minor Jagger

Esta constitui problema sério sob condições de temperatura amena e de muita umidade em culturas irrigadas, principalmente com pivô central.

Sintomas

A presença de tecido necrosado e senescente favorece a germinação e o desenvolvimento do fungo a partir de ascósporos, pois estes raramente causam doença em tecidos íntegros.

A disseminação a longas distâncias se dá pelo vento, levando ascósporos. Já os escleródios  são disseminados por mecanismos de transporte de solo contaminado.

Os fungos atacam cerca de 200 espécies de plantas de 39 famílias, sendo muito comum em solanáceas, compostas, bracicáceas e fabáceas.

Controle

MOFO CINZENTO - Botrytis cinerea Pers.

Esta doença não tem constituído problema para a cultura. Em geral, ocorre sob condições de alta umidade e temperatura amena. Os órgãos afetados apresentam-se necrosados e com abundante mofo cinzento. Pulverizações normais da cultura controlam esta doença.

PODRIDÃO DE SCLEROTIUM - Sclerotium rolfsii Sacc.

É uma doença comum em tomateiro mas não chega a ser preocupante em nossas condições. Plantas afetadas murcham ou ficam enfezadas em conseqüência de necrose na região do colo, quase sempre circunscrevendo o caule. Em condições de alta umidade, verifica-se crescimento micelial branco que se desenvolve junto ao tecido doente, formando numerosos escleródios pequenos, arredondados de cor branca no início e depois pardo-escura. O patógeno pode atacar também frutos em contato com o solo contaminado, provocando podridão. O fungo pode permanecer viável no solo, em forma de escleródio, por até cinco anos. Entretanto, pode permanecer por muito mais tempo, infectando outras espécies de plantas. As medidas de controle de outras doenças propiciam bom controle de podridão de Sclerotium, mas, em caso de controle químico, os fungicidas à base de iprodione, PCNB e procimidone são os recomendados.

MANCHA DE CLADOSPORIUM - Cladosporium fulvum Cooke.

Esta é uma doença que ocorre principalmente sob condições de estufa, quando a umidade é muita alta e a temperatura está na faixa de 21 a 25ºC. O fungo pode atacar toda a parte aérea das plantas, mas a maior incidência ocorre nas folhas e no caule. Nas folhas manifesta-se como áreas amarelas na face superior e crescimento micelial e frutificação do fungo, de cor oliva a púrpura, na face inferior. Mais tarde, essas áreas tomam-se necróticas, podendo provocar desfolha da planta quando ocorre coalescência de muitas manchas. Para o controle da doença, em condições de estufa, recomenda-se promover arejamento interno, pois os conídios do fungo germinam em água livre. Deve-se também eliminar restos de cultura, tratar sementes em água quente a 55ºC por 6 horas ou com fungicidas e, se necessário, pulverizar com fungicidas.

PODRIDÃO DE PHOMA - Phoma destructiva Plowr.

É uma doença de importância secundária. O fungo afeta principalmente os frutos, mas os limbos e pecíolos também podem ser atacados. Nos frutos, as lesões são circulares com 1 a 2 cm de diâmetro, deprimidas, com bordos bem definidos, de coloração pardo-escura e presença de grande quantidade de picnídios escuros. Em nossas condições, a doença não exige medidas especiais de controle pois é controlada por tratamentos dispensados a outras doenças.

PODRIDÃO DO COLO E DA RAIZ - Fusarium oxysporum f. sp. radicis-lycopersici Jarvis & Shoemaker.

Esta doença ainda não foi constatada no Brasil embora haja suspeita de sua ocorrência. Plantas infectadas apresentam folhas amareladas, depois murcham e podem morrer em decorrência da necrose da região do colo e das raízes. O controle recomendado é semelhante ao indicado para fungos do solo.

PODRIDÃO CORTICOSA DA RAIZ - Pyrenochaeta lycopersici Shneider & Gerlach.

A doença é conhecida também como podridão parda da raiz. Sua ocorrência é maior sob temperaturas amenas, estando o ótimo na faixa de 15 a 20ºC. O fungo provoca necrose dos pêlos absorventes e lesão de cor parda nas raízes mais finas ou lesões corticosas típicas nas mais velhas e grossas.

CANCRO DA HASTE - Alternaria alternata f. sp. lycopersici Grogan et al.

Esta doença pode ser confundida com pinta preta, porque o agente causal pertence ao mesmo gênero. Entretanto, os sintomas são distintos, porque A. alternara causa cancros de cor parda a negra com zonas concêntricas no caule próximo à linha do solo ou pouco acima. Aparecem com freqüência grandes cancros associados aos ferimentos no caule. O xilema apresenta descoloração que pode se estender de 4 a 7 cm acima e abaixo dos cancros. Sintomas nas folhas manifestam-se como áreas pardo-escuras a pretas de tecido necrótico internerval. Nos frutos, o sintoma é uma lesão necrótica deprimida, pardo-escura, freqüentemente com anéis concêntricos. A doença ocorre em condições de alta umidade e tem sido controlada eficientemente com cultivares resistentes.

QUEIMA BACTERIANA - Pseudomonas syringae pv. syringae van Hall

É uma doença pouco conhecida e de ocorrência esporádica. No Brasil, o primeiro relato desta bacteriose data de 1994. As plantas afetadas apresentam sintomas de necrose nas folhas, nos pecíolos e nos caules, sendo mais comum nas folhas. Lesões necróticas nos folíolos são circulares ou irregulares, maiores que a pinta bacteriana, e o halo amarelo é pouco acentuado. Verifica-se intensa necrose dos bordos dos folíolos. 

TALO OCO - Erwinia carotovora subsp. carotovora (Jones) Bergey et al.

É uma doença muito comum em tomateiro, mas sua ocorrência está na dependência das condições ambientais e do estado nutricional das plantas, acentuando-se a partir do início da frutificação. Folhas murcham e as mais velhas amarelecem. O caule da planta apresenta-se encharcado e enegrecido e é facilmente esmagado, daí a denominação talo oco. As plantas afetadas geralmente morrem precocemente no início da colheita. A bactéria sobrevive como saprófita nos solos na ausência de hospedeiros. Temperaturas entre 25 e 30ºC e umidade relativa próxima a 100% são condições favoráveis ao desenvolvimento desta doença assim como adubação excessiva de nitrogênio. Adubação equilibrada, plantio em solos bem drenados, arejamento das plantas através de espaçamentos adequados, controle de insetos subterrâneos e mastigadores para reduzir ferimentos e rotação de culturas com gramíneas são alternativas de controle. O controle químico do talo oco é pouco eficiente.

NECROSE DA MEDULA - Pseudomonas corrugata Roberts & Scarlett

É uma doença descrita somente para o tomateiro estaqueado e é pouco conhecida e estudada no Brasil. Sua ocorrência está associada a plantas vigorosas na época de frutificação. Os sintomas externos são muito semelhantes aos do talo oco, mas não há desintegração da medula do caule ou do pecíolo. Quando a bactéria coloniza a região de inserção da folha com o caule, a folha apresenta-se totalmente amarela de cor "gema-de-ovo". Posteriormente, com a colonização do pecíolo e da nervura central, todo o tecido necrosa, murcha e seca.

BIBLIOGRAFIA