(Solanum
tuberosum L.)
Autores: BARRETO, M & SCALOPPI, E.A.G.
Sintomas
Infecção
primária, decorrentes da inoculação do PLRV pelo inseto vetor na planta
durante o ciclo, e sintomas de infecção secundária decorrentes da perpetuação
do PLRV no plantio subseqüente através do uso de batata-semente infectada no
primeiro plantio.
Parada
de crescimento, empinamento das folhas e enrolamento para cima das margens dos
folíolos das folhas baixeiras. Estas podem ainda apresentar amarelecimento
entre as nervuras e arroxeamento, ou pontuações necróticas pardas ao longo
das margens.. As folhas do ponteiro ficam enroladas e os pecíolos apresentam
tendência de crescimento vertical, apresentando ângulo fechado em relação à
haste.
Na
infecção secundaria observa-se: a) crescimento mais ereto, com pecíolos
mantendo angulo mais fechado em relação à haste; b) menor desenvolvimento das
ramas; c) amarelecimento internerval nas folhas baixeiras e enrolamento dos folíolos
para cima, que tornam-se mais espessos e adquirem aspecto coriáceo; d)
enrolamento ou arroxeamento das margens dos folíolos ou necrose na forma de
pontuações pardas; e) crescimento
vertical de folhas apicais novas, que apresentam coloração amarelo-pálida; f)
redução em tamanho dos tubérculos que tendem a ser formados precocemente e
mais próximos à haste (estolões curtos).
PLRV não é transmitido mecanicamente. Myzus
persicae (Sulz) é o vetor mais eficiente. Macrosiphum
euphorbiae (Thomas) e Aulacorthum
solani (Kaltenbach) também podem transmiti-lo. A relação vírus-vetor é
do tipo persistente, não havendo multiplicação do vírus no vetor.
Um
vírus relacionado com o PLRV é o vírus do topo amarelo do tomateiro (“Tomato
Yellow Top Virus” - TYTV). A infecção da batateira por TYTV, no entanto, é
rara e os sintomas experimentais são consistentemente mais fracos e pouco
evidentes comparados aos ocasionados por isolados de PLRV.
As
principais fontes deste vírus na natureza são plantas “soqueiras” ou
“voluntárias”, remanescentes de plantios anteriores e solanáceas
cultivadas (como tomateiro e pimentão) ou não (como joá, jurubeba, etc.).
Entre
os vírus causadores de mosaico em nossos batateirais, o PVY é o mais comumente
detectado.
Sintomas
Anéis
ou pontuações necróticas nas folhas e mosaico nas folhas apicais. A maioria das estirpes
do PVY causa mosaico pouco evidente em tomateiro e pimentão.
Etiologia
A
transmissão de PVY pode ser feita
mecanicamente, por enxertia e por afídeos. Na natureza, a transmissão ocorre
principalmente por afídeos. Existem diferentes espécies de afídeos eficientes
na transmissão do PVY. A espécie M.
persicae é a mais importante vetora, mas há também evidências de outras
espécies de afídeos e Liriomyza.
Há
evidências de plantas solanáceas, amarantáceas, quenopodiáceas, compostas e
leguminosas hospedeiras de PVY. Em plantios, no entanto, as principais fontes de
virus são as próprias plantas de batateira (soqueiras e plantações vizinhas
em finais de ciclo).
O
problema da presença de PVX
é a violenta reação de sinergismo com PVY ou outros Potyvirus, denominada
“mosaico rugoso”.
Sintomas
A doença caracteriza-se por
sintomas muito leves de mosaico nas folhas, geralmente irreconhecíveis no
campo.
Etiologia
PVX é de fácil transmissão por contato entre folhas (vento,
animal), pelo toque mecânico de plantas (tratos culturais irrigação), de tubérculos
(classificadeiras, corte de batata-semente, plantadeiras), e brotos
(praticamente qualquer manipulação do tubérculo brotado ou na movimentação
dentro de caixas ou plantadeiras).
Embora
a própria batata-semente infectada seja a principal fonte de vírus na
natureza, há também diversas solanáceas silvestres como Solanum lycocarpum.
S. mammosum e S. robustum
hospedeiras do PVX. Também solanáceas cultivadas podem ser contaminadas
com o PVX, como tomateiro e fumo.
Necrose do Topo da Batateira -
“Tomato spotted wilt virus” (TSWV)
Vírus S da Batateira - “Potato vírus S” (PVS)
Este
vírus é também considerado de menor expressão no Brasil e em outros Países.
O controle de viroses na cultura da batateira baseia-se na integração de
medidas voltadas à redução da velocidade da degenerescência da
batata-semente, permitindo ao produtor manter seu próprio lote de alta sanidade
por maior número de gerações.
Assim como em outros países
produtores e exportadores de batata-semente, também no Brasil há normas
oficiais divulgadas pelo Ministério da Agricultura para a produção de
batata-semente, sendo estabelecidos limites de tolerância para as viroses mais
comuns
São recomendados os
seguintes procedimentos para a produção e manutenção de batata-semente: 1)
escolha de local isolado de outras plantas de batateira ou solanáceas que
sirvam de reservatório de vírus; 2) escolha de variedades com bom nível de
resistência, conforme recomendações de ensaios nacionais; 3) uso de
batata-semente com alto nível de sanidade; 4) plantio em época mais adequada
para multiplicação do lote em função de menor população de afídeos (regiões
de altitude e época de janeiro a abril); 5) erradicação (“roguing”) de
plantas sintomáticas (viroses ou outras anomalias; 6) controle de afídeos com
aplicação de inseticidas; 7) proteção física e química da batata-semente
recém-colhida até o plantio seguinte contra a visita e estabelecimento de afídeos.
Com
relação ao controle químico de insetos, recomenda-se tratamento com
inseticidas granulados de ação sistêmica e registrados colocados no sulco
durante o plantio, seguido de pulverizações regulares desde a emergência até
o final do ciclo com inseticidas, recomendados no controle do afídeo Myzus persicae.
A
murcha bacteriana é uma das principais doenças da cultura da batateira no
Brasil e em várias regiões produtoras do mundo. É conhecida também como “murchadeira”,
“água-quente’ e “dormideira”. Além de possuir o potencial de destruir
todo um plantio, sua ocorrência em uma única planta em campos de produção de
batata-semente é suficiente para condenar a certificação do campo. A
dificuldade de controle dessa doença é responsável pelo contínuo
deslocamento da cultura para áreas livres do patógeno.
Sintomas
O
sintoma mais típico é o murchamento dos folíolos que, no inicio do
desenvolvimento da doença, ainda recuperam a turgescência nas horas mais
frescas do dia. Os sintomas podem aparecer em qualquer estádio de
desenvolvimento da cultura, inicialmente nas folhas superiores da planta, sendo
comum ocorrer em apenas uma das hastes. Plantas atacadas morrem rapidamente. Em
condições desfavoráveis a doença, plantas infectadas podem ter
desenvolvimento retardado, com ausência dos sintomas típicos, que é conhecida
como infecção latente.
Os
vasos lenhosos apresentam cor escura (parda) e, quando pressionados, exsudam pus
bacteriano. Cortando-se um tubérculo doente ao meio é possível observar o
escurecimento do anel vascular e a exsudação. Esta também pode ocorrer através
dos olhos do tubérculo, provocando a aderência de terra. Tubérculos doentes,
quando colhidos, apodrecem rapidamente durante o armazenamento. O diagnóstico
da doença também pode ser feito mediante o exame de pedaços da haste da região
do colo da planta suspensos em um copo de água limpa por
Etiologia
Ralstonia
solanacearum raça
1 afeta solanáceas em geral e a raça 3 é considerada específica da batateira.
A
bactéria é nativa de muitos solos virgens do Brasil e pode ser introduzida
através da batata-semente. Sobrevive na rizosfera de hospedeiros silvestres ou
cultivados, pois é patogênica a mais de 200 espécies de plantas distribuídas
em mais de 33 famílias. A doença desenvolve-se em quase todos os tipos de
solo, normalmente em reboleiras, especialmente nos mal drenados.
Alta
umidade relativa favorece a sobrevivência e infectividade da bactéria e o
desenvolvimento da doença. A infecção ocorre principalmente pelo sistema
radicular, através de aberturas naturais ou ferimentos causados por tratos
culturais, pragas e nematóides.
Controle
O controle da murcha bacteriana é
extremamente difícil, pois a bactéria possui uma ampla gama de hospedeiros e
capacidade de sobrevivência no solo. As medidas de controle adotadas devem ser
diferentes em plantios destinados para batata-semente e para consumo. As
rigorosas exigências técnicas para produção de batata-semente justificam a
adoção de práticas muitas vezes consideradas caras.
A
maioria das medidas de controle é preventiva e tem por objetivo impedir ou
retardar o aparecimento do patógeno na cultura. Recomendam-se: 1) escolha de
terreno que não tenha histórico de murcha bacteriana e bem drenado, que não
receba águia de superfície proveniente de canais de drenagem e rodovias e não
se localize próximo a residências ou
locais de descarga de lixo. O plantio em solos virgens pode não garantir a ausência
da doença, uma vez que a bactéria é capaz de atacar um grande número de
plantas, inclusive silvestres, como picão-preto (Bidens pilosa),
beldroega (Portulaca
oleracea),
maria-pretinha (Solanum
nigrum), joá-bravo (Solanum
sisymbriifolium),
entre outras; 2) rotação de cultura, por 3 ciclos ou mais, principalmente
com gramíneas como arroz, cana-de-açúcar, milho, pastagens e sorgo. Durante
estes cultivos, realizar o controle de plantas daninhas para diminuir as
possibilidades de sobrevivência da bactéria; 3) uso de batata-semente sadia;
4) cuidados para evitar danos mecânicos (ferimentos) durante os tratos
culturais, principalmente por ocasião da amontoa; 5)
arranquio e eliminação de plantas infectadas; 6) controle da água de
irrigação, que deve estar livre da bactéria. Para isso, não se deve usar água
captada em locais que recebam enxurrada de outras áreas com plantio de
batateira ou solanáceas.
Não
são conhecidas variedades resistentes. O controle químico não é utilizado
para esta bactéria. Fumigação do solo com produtos químicos tem pouca aceitação
devido ao alto custo e baixo nível de controle. Tratamento do solo com 5 l/m2
de solução de cobre a 5% é recomendado para os locais onde plantas com
murchadeira foram erradicadas.
Esta
doença bacteriana é um dos principais problemas que ocorrem durante o
armazenamento dos tubérculos, decorrente de ferimentos causados durante a
colheita e transporte. A pequena resistência ao armazenamento obriga o produtor
à venda imediata da produção, impedindo-o de negociar melhores preços. A
doença tem distribuição generalizada, afetando outras culturas. O
armazenamento em ambientes quentes e úmidos favorece a doença.
Sintomas
Tubérculos podem ser afetados pela
bactéria no solo, na colheita ou no armazenamento. A infecção ocorre através
dos estolões, lenticelas e ferimentos causados por insetos ou outros patógenos
de solo. A bactéria causa uma podridão mole e encharcada de cor creme e
apresenta cor escura na periferia da área atingida, que se desprende facilmente
do tecido sadio.
O
encharcamento do tecido seguido de podridão-mole ocorre pela destruição da
lamela média que une as células, causando a perda de água. Na desintegração
dos tecidos ocorre a exsudação de um líquido fétido e podem ocorrer infecções
secundárias causadas por outros microrganismos. A deterioração é rápida,
ocorrendo em poucos dias, e a bactéria facilmente infecta outros tubérculos.
Tubérculos afetados e destinados a batata-semente normalmente apodrecem antes
de dar origem a uma nova planta. Quando os tubérculos são expostos a condições
de baixa umidade, as lesões apresentamse secas e corticosas.
Etiologia
Erwinia carotovora subsp. carotovora é favorecida por
temperaturas entre 25 e
Controle
Rotação de cultura com gramíneas
reduz o inóculo da bactéria no solo. Deve-se também usar material propagativo
sadio e plantá-lo em camalhões para evitar umidade excessiva, o que também
dispensa a amontoa e diminui os riscos de danos aos tubérculos durante a
colheita. O controle de insetos do solo é necessário para reduzir lesões nos
tubérculos. Cuidados durante a colheita e armazenamento são fundamentais para
o controle da doença, devendo-se colher os tubérculos somente quando estiverem
fisiologicamente maduros e protegê-los da radiação solar excessiva, que pode
causar queimaduras que servem de ponto de entrada para a bactéria. Os tubérculos
devem ser resfriados a
Canela
preta é um problema grave à cultura quando há períodos muito favoráveis à
sua ocorrência.
Sintomas
Os sintomas podem ocorrer em
qualquer estádio de desenvolvimento da planta, variando de acordo com as condições
de umidade, idade e local atacado da planta. Ramos afetados apresentam
enegrecimento do colo, que normalmente está associado à deterioração do tubérculo-mãe.
O tecido vascular fica descolorido e as plantas podem murchar nas horas mais
quentes do dia. Quando a infecção ocorre logo após a emergência dos ramos, há
diminuição do estande. Em infecções mais tardias, as folhas apresentam
inicialmente enrolamento, evoluindo para amarelecimento e murcha. A casca fica
destruída e a medula da haste apresenta podridão-mole. A lesão atinge grande
extensão, sendo nítida a separação entre tecido sadio e doente. No final, os
vasos ficam descoloridos, de cor parda. Sintomas tardios de canela preta recebem
o nome de talo-oco.
A
umidade define também a intensidade da infecção, pois sob condições secas a
lesão fica restrita ao colo da planta, mantendo a coloração escurecida. Sob
alta umidade, a podridão da haste evolui e a planta assume aparência ereta,
ocorrendo murcha e morte da planta sem haver enrolamento e amarelecimento das
folhas. Plantas que não morrem têm sua produção comprometida.
Etiologia
A canela preta e a podridão-mole
dos tubérculos têm o mesmo agente causal: Erwinia
carotovora subsp. carotovora.
Controle
O controle da doença é feito através
de medidas que evitem as condições de alta umidade relativa no campo e permita
um melhor arejamento da cultura, corno espaçamento adequado e cuidado com adubações
excessivas. A rotação de cultura com gramíneas contribui para a diminuição
do inóculo da bactéria no solo.
Como
o tubérculo-mãe pode servir de inóculo inicial do patógeno, o uso de
batata-semente sadia ajuda a prevenir a doença.
Essa
doença está presente em todas as áreas produtoras do mundo e causa depreciação
do produto para o comércio, pois afeta seu aspecto externo, embora os tubérculos
possam ser consumidos normalmente. A bactéria tem grande capacidade de sobrevivência
saprofítica no solo e pode atacar também beterraba, cenoura, nabo, rabanete,
repolho e salsa.
Sintomas
Sintomas podem ocorrer nas raízes,
tubérculos, estolões e caule em contato com o solo, mas é nos tubérculos que
ocorrem os sintomas mais importantes. A infecção do tubérculo pode iniciar-se
através de ferimentos ou lenticelas. Inicialmente, verifica-se uma pequena
elevação da cutícula que ao intensificar-se torna a superfície áspera e
suberificada. As lesões têm de
Etiologia
Streptomyces scabies é
uma bactéria actinomiceto que possui esporos em forma de barril. Seu
crescimento dá-se em temperaturas entre 5-
O
patógeno desenvolve-se favoravelmente em solos com pH neutro ou ligeiramente
alcalino. Não ocorre em solos com pH abaixo de 5,0. A baixa umidade do solo,
principalmente próximo da fase de tuberização e desenvolvimento dos tubérculos,
aumenta a infecção.
Controle
Para prevenir o aparecimento da
sarna, várias medidas podem ser adotadas: rotação de culturas,
preferencialmente com gramíneas; uso de sementes certificadas, com baixa
porcentagem de tubérculos infectados; adubação nitrogenada na forma de
sulfato de amônio, que promove a redução do pH no solo; plantio em solos com
pH ao redor de 5; manutenção da umidade do solo elevada nos períodos de formação
do tubérculo; redução ao máximo das oscilações de umidade do solo.
Vide
tomate
PINTA PRETA ou MANCHA DE ALTERNARIA -
Alternaria solani
Vide tomate
RIZOCTONIOSE - Thanatephorus
cucumeris (Rhizoctonia
solani)
Este
patógeno ocorre com relativa freqüência
Está
presente em todas as regiões produtoras de batata do mundo e é uma doença que
afeta principalmente os tubérculos, sendo pouco comum em nossas condições mas
bastante freqüente em batata-semente importada.
A
doença desenvolve-se melhor em climas frios e úmidos, mas tem sido constatada
em praticamente todas as regiões produtoras de batata do mundo. No Brasil, a
sarna pulverulenta é considerada doença rara, sendo detectada pela primeira
vez em 1988, no município de Vargem Grande do Sul-SP. Em 1992 foi constatada na
principal região produtora de batata de inverno do Estado de São Paulo,
causando grandes prejuízos. Embora a produtividade não seja afetada, a doença
causa mancha e feridas na casca da batateira, depreciando seu valor comercial.
As
doenças causadas pelas diferentes espécies de Fusarium
ocorrem nas principais regiões produtoras de batata do mundo, sendo as mais
importantes a podridão seca e a murcha de Fusarium. A murcha também é
conhecida no Brasil por “olho-preto”. As perdas ocasionadas pela doença são
principalmente a redução na produtividade, descarte de tubérculos na seleção
e perda da qualidade dos tubérculos devido à presença de manchas.
Podridão de Sclerotinia -
Sclerotinia sclerotiorum
Vide
tomate
Podridão de Sclerotium -
Sclerotium rolfsii
Vide tomate
SOUZA DIAS, J.A.C.; IAMAUTI, M.T.. Doenças da batateira. In: KIMATI, H. et al. Manual de Fitopatologia. Doenças das plantas cultivadas.
V. 2, São Paulo, Agronômica Ceres, 2005. p. 119 - 142