BOLETIM TÉCNICO (Atualizado em 1999)

DOENÇAS DO AMENDOIM (Arachis hypogaea L.)

Autores: BARRETO, M & SCALOPPI, E.A.G.

SUMÁRIO

  1. CERCOSPORIOSES Cercospora arachidicola e Cercosporidium personatum
  2. VERRUGOSE Sphaceloma arachidis
  3. MANCHA BARRENTA Phoma arachidicola
  4. FERRUGEM Puccinia arachidis
  5. MURCHA DE SCLEROTIUM Sclerotium rolfsii
  6. RHIZOCTONIOSE Rhizoctonia solani
  7. OUTRAS DOENÇAS
    • MANCHA DE LEPTOSPHAERULINA Leptosphaerulina crassiasca
    • MOFO BRANCO Sclerotinia minor e S. sclerotiorum
    • MOFO CINZENTO Botrytis cinerea
    • PODRIDÃO DE ASPERGILLUS Aspergillus niger
    • MANCHA DE PHYLLOSTICTA Phyllosticta arachidis - hypogaea
    • PODRIDÃO DE MACROPHOMINA Macrophmina phaseolina
    • ANTRACNOSE Colletotrichum mangenoti e C. dematium
    • MANCHA DE ALTERNARIA Alternaria arachidis e A. alternata
    • MANCHA ZONADA Cristulariella moricola
    • MANCHA OU QUEIMA DE PHOMOPSIS Phomopsis sojae
    • OÍDIO Oidium arachidis
    • MELANOSE Stemphylium botryosum
    • MANCHA DE PESTALOTIOPSIS Pestalotiopsis arachidis
    • MANCHA DE CHOANEPHORA Choanephora spp
    • SECA DAS FOLHAS Myrothecium roridum
    • PODRIDÃO NEGRA DE CYLINDROCLADIUM Cylindrocladium crotalarie
    • ENEGRECIMENTO DA CASCA DA VAGEM Thielaviopsis basicola
    • MURCHA DE VERTICILLIUM Verticillium dahliae
    • PODRIDÃO DO COLO Diplodia gossypina
    • PODRIDÃO DE RAÍZES Phymatotrichum omnivorum
    • DESCOLORAÇÃO DE RAÍZES Olpidium brassicae
    • MOFO AMARELO Aspergillus flavus
    • PODRIDÃO DE PYTHIUM Pythium spp
    • FUSARIOSE Fusarium spp
    • MURCHA BACTERIANA
    • VIROSES
    • BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CERCOSPORIOSES

No amendoim ocorrem duas doenças sob o nome de cercosporioses: a mancha castanha e a mancha preta, amplamente disseminadas em todas as regiões de cultivo e que são atualmente as mais comuns e mais importantes doenças da cultura no Estado de São Paulo. Dificilmente se encontra uma cultura em fim de ciclo sem sintomas dessas doenças. Seus prejuízos ocorrem devido à desfolha precoce das plantas, podendo atingir mais de 50% da produção caso essa desfolha ocorra antes dos 90 dias de idade da cultura. A massa foliar caída aumenta a incidência da murcha de Sclerotium elevando ainda mais os prejuízos. Além disso, com a desfolha precoce das plantas as perdas por apodrecimento de vagens e ginóforos podem aumentar muito caso haja um atraso na colheita devido ao excesso de chuvas, fato relativamente comum no Estado de São Paulo.

Com a evolução tecnológica da cultura, a introdução de novos cultivares de hábito rasteiro e mecanização da colheita, a desfolha tornou-se um novo problema. O "Arrancador Invertedor" tem melhor desempenho quando as plantas encerram o ciclo enfolhadas. Este equipamento foi desenvolvido para cultivares rasteiros, porém é utilizado também nos eretos após uma poda de cerca de 10 cm do ponteiro com uso de roçadeira, operação popularmente conhecida como "topejo". Também nesses cultivares o enfolhamento no final do ciclo melhora a performance da máquina.

Finalmente as folhas desempenham um papel importante formando uma "cama" de sustentação das vagens em posição mais adequada e sem contato com o solo, durante o período de secagem no campo, principalmente se ocorrerem períodos chuvosos na colheita.

Sintomas

Os sintomas mais evidentes dessas doenças são lesões necróticas de cor castanha ocasionadas pelo fungo Cercospora arachidicola ou preta quando se trata de Cercosporidium personatum. Além da cor existem outras características que permitem diferenciar as duas doenças:

Lesões Mancha Castanha Mancha Preta
Cor Castanha Preta
Diâmetro Até 12 mm Até 7 mm
Forma Mais Irregular Mais Regular
Halo amarelo Nítido Indistinto
Esporulação predominante Face superior Face inferior
Época de ocorrência Mais precoce Mais tardia

As doenças se manifestam inicialmente nas folhas mais velhas progredindo, posteriormente para as mais novas. As hastes também podem ser afetadas. Folíolos severamente afetados caem com facilidade, o que resulta em redução da produção. Estas doenças são causadas por fungos que sobrevivem de uma época de cultivo para outra principalmente em restos de cultura. Outra forma importante de sobrevivência, são as plantas voluntárias (tiguera) que persistem entre as épocas de cultivo.

As condições ambientais que favorecem o desenvolvimento dessas doenças são alto teor de umidade e alta temperatura. A velocidade de progresso dessas doenças aumenta com a temperatura e com o período de molhamento foliar. As epidemias de mancha castanha são favorecidas por longos períodos de alta umidade relativa e temperaturas de aproximadamente 16 a 25ºC, enquanto que a mancha preta requer prolongados períodos de molhamento foliar ou vários períodos curtos (10 horas ou mais) e temperatura de 20 a 26ºC.

Controle

Medidas que devem ser adotadas na condução da cultura:

Os fungicidas mais utilizados são:

Produtos Protetores

Produtos Sistêmicos

chlorothalonil Benomyl *
mancozeb Tiofanato metílico*
cúpricos Grupo dos triazóis** (tebuconazole, propiconazole, difenocenazole e bromuconazole)

* Em mistura com outros produtos porque não têm efeito sobre a mancha barrenta e devido ao risco de aparecerem raças dos fungos resistentes aos mesmos.

** Grande eficiência no controle das cercosporioses além de controlarem também a verrugose e, no caso do tebuconazole controla bem a ferrugem, além de terem efeito contra patógenos de solo como Sclerotium rofsii e Rhizoctonia solani.

As aplicações de fungicidas geralmente são realizadas em intervalos de cerca de 15 dias com início aos 40 - 45 dias após a semeadura. Neste esquema são realizadas de 3 a 4 aplicações por ciclo da cultura e têm proporcionado bom controle das cercosporioses. Sabe-se que a produtividade da cultura está diretamente relacionada com o grau de enfolhamento das plantas aos 90 dias de idade, na cultivar Tatu, que é a mais utilizada no Estado de São Paulo. Portanto, a última aplicação de fungicida pode ser recomendada quando as plantas estiverem com aproximadamente 80 dias de idade, supondo um período de persistência do fungicida em torno de 10 dias.

Outra opção para se decidir quando aplicar fungicidas é o uso do SISTEMA DE PREVISÃO - ALERTA, já disponíveis para estas doenças e que vem proporcionando bons resultados. Já foi demonstrado que este sistema se adapta muito bem às nossas condições, podendo ser recomendado o seu uso, embora, inicialmente, com assistência de técnicos especializados.

Cuidados para se ter a máxima eficiência de controle possível com uso de fungicidas:

  1. escolher o fungicida correto
  2. usar a dose recomendada
  3. aplicar corretamente de forma a conseguir boa cobertura das plantas
  4. pulverizar no momento adequado

VERRUGOSE

A Verrugose do amendoim foi constatada pela primeira vez no Estado de São Paulo em 1940 e durante muitos anos foi considerada de pequena importância por ocorrer somente em fim de ciclo.

Com o acúmulo de inóculo, esta doença se tornou sério problema todas as vezes em que ocorrem condições favoráveis durante os estágios iniciais de desenvolvimento da cultura. Particularmente, na região nordeste do estado, nas áreas de renovação de canaviais, a doença tem causado sérios problemas nos últimos anos, especialmente no ano agrícola 95/96. Este crescimento na importância da verrugose, em parte, também se deve à saída do mercado em 1987 do fungicida mais eficiente para seu controle que era o captafol. Atualmente, com a chegada dos triazóis, poderá ter seus prejuízos minimizados novamente.

Em determinadas situações a Verrugose pode ser confundida com o ataque de tripes e parece haver um aumento na incidência da doença quando não se controla adequadamente essa praga, não se sabendo ao certo qual a razão para isso, se há transmissão pelo inseto, facilidade de penetração pelos ferimentos ou simplesmente coincidência de condições ambientais favoráveis.

Sintomas

Em ataque intenso pode haver deformação acentuada dos folíolos. Estes sintomas, por não apresentarem simetria, podem ser diferenciados daqueles ocasionados por tripes. Plantas severamente afetadas amarelecem e secam prematuramente, com conseqüente redução na produtividade.

O fungo sobrevive, de uma estação de cultivo para outra, principalmente nos restos de cultura e em plantas voluntárias. Quando encontra condições favoráveis, o fungo esporula nestas fontes de inóculo e é disseminado para as novas plantas e de planta para planta pelos respingos de chuva.

Controle

MANCHA BARRENTA

A Mancha Barrenta é uma doença de importância secundária, aparecendo geralmente no terço final do ciclo vegetativo da cultura do amendoim, sem apresentar muita gravidade. Talvez isso ocorra em função do cultivar mais utilizado em nossas condições (Tatu, do grupo Valência) apresentar alguma resistência, pois existem relatos de prejuízos elevados em cultivares do grupo Spanish.

Sintomas

O fungo que causa a doença (Phoma arachidicola) sobrevive de uma estação de cultivo para outra nos restos de cultura, e em plantas voluntárias e é disseminado pelo vento e por respingos de chuva. Se desenvolve melhor em condições de umidade alta (aparentemente requer longos períodos de molhamento foliar) e temperatura de 20ºC.

Controle

Embora a mancha barrenta não tenha grande importância até o momento, há necessidade de certa precaução como realizar:

Quanto ao controle químico, os produtos utilizados para controle das cercosporioses têm mantido a mancha barrenta em níveis aceitáveis de ocorrência, entretanto, deve-se ressaltar que o uso de benomyl isoladamente, para controle das cercosporioses, pode ocasionar aumento na incidência de mancha barrenta.

FERRUGEM

A Ferrugem do amendoim tem tido ocorrência esporádica, causando danos apenas em alguns locais, em alguns anos. Em determinados países, a doença pode chegar a causar severas perdas, semelhante às das cercosporioses, em função das condições ambientes.

Sintomas

Os sintomas da Ferrugem do amendoim se manifestam na forma de pústulas que, ao romperem-se, liberam uma massa alaranjada a avermelhada, em ambas as páginas da folha, com predominância na página inferior. As pústulas, individualmente, são pequenas, medindo de 0,3 a 0,6 mm, freqüentemente circundadas por tecido foliar verde escuro a pardo claro. Posteriormente, as pústulas se tornam pardo escuras e as lesões coalescem. O tecido ao redor das pústulas sofre necrose e seca, formando-se manchas irregulares. Os folíolos afetados, eventualmente, se curvam e se desprendem, mas há uma tendência, diferente das cercosporioses, de permanecerem presos à planta.

Controle

MURCHA DE SCLEROTIUM

Introdução

A murcha de sclerotium é uma importante doença que afeta a cultura do amendoim, no Estado de São Paulo e ocorre em todas as regiões produtoras, sempre como um problema sério e de difícil solução visto que o patógeno tem alta capacidade de persistência no solo e muitos hospedeiros. As condições são altamente favoráveis nas épocas de cultivo e as variedades comerciais são suscetíveis, o que torna o controle muito difícil. Além dos hospedeiros o patógeno é capaz de se multiplicar na matéria orgânica morta no solo. Assim, mesmo nas áreas de renovação de canaviais, na região de Ribeirão Preto, o problema é grave devido à multiplicação do patógeno nos restos de cultura da cana-de-açúcar.

Sintomas

Controle

RHIZOCTONIOSE

Introdução

Rhizoctonia solani Kuehn causa no amendoim, morte de sementes, damping-off de pré e pós-emergência, podridões de raízes e de vagens e queima de folhas em plantas adultas. No Estado de São Paulo tem sido mais frequentemente relatada como damping-off, podridões de vagens e de ginóforos. Devido a sua alta freqüência e às condições favoráveis em São Paulo, pode-se afirmar que constitui um dos mais sérios problemas.

Sintomas

Rhizoctonia solani sobrevive de uma estação de cultivo para outra em restos de cultura, através de escleródios ou hospedeiros cultivados e selvagens.

Como um fungo de solo, sua disseminação se dá por qualquer mecanismo capaz de transportar solo, principalmente água de superfície, implementos agrícolas, etc. Além disso há também a possibilidade de disseminação através de sementes e, a curtas distâncias, o próprio crescimento miceliano do fungo propaga a doença.

As condições que favorecem a incidência da Rhizoctoniose são umidade alta e temperatura relativamente amena na fase da germinação e emergência das plântulas. Como agente de lesões em plantas adultas e podridões de vagens e ginóforos a alta umidade favorece a ocorrência da doença, não tendo, a temperatura, efeito limitante nas condições do Estado de São Paulo.

Controle

OUTRAS DOENÇAS

A cultura do amendoim está sujeita ainda ao ataque de diversas doenças que, por vários fatores, não assumiram importância, até o momento, em nossas condições, exceto em condições muito particulares. Como o cultivo de amendoim é um processo dinâmico, mudam-se práticas culturais, épocas de semeadura, locais de produção, condições climáticas e variedades, pode ocorrer que, em algumas dessas mudanças, ou mesmo sem elas, uma ou mais doenças assumam importância econômica. Por exemplo pode-se citar que em cultura de amendoim irrigado, no inverno, já foi observada na região de Jaboticabal-SP ocorrência severa de mofo branco causado por Sclerotinia sclerotiorum. Assim será apresentado um breve relato de cada uma delas, independentemente de ocorrer ou não no Brasil.

MANCHA DE LEPTOSPHAERULINA

O fungo Leptosphaerulina crassiasca (Sechet) Jackson & Bell causa dois tipos de sintomas em amendoim. Surgem pequenas e numerosas manchas, marrons, com diâmetro menor que 1 mm, circulares ou irregulares e às vezes deprimidas na superfície superior do folíolo, deixando o mesmo com aspecto salpicado. Entretanto, o sintoma mais comum é uma queima a partir do ápice do folíolo, e forma de "V" com o vértice voltado para a base e circundada por um halo amarelado nítido. Aparentemente a doença é controlada pelos fungicidas usados para controle das outras doenças foliares de maior importância, motivo pelo qual apresenta importância secundária na cultura.

MOFO BRANCO

Começa como pequenas lesões encharcadas que aumentam de tamanho permanecendo bem distinto o limite entre o tecido doente e o sadio. Um crescimento branco e vigoroso aparece sobre as lesões em períodos de alta umidade. A presença de escleródios negros sobre ou dentro dos tecidos afetados é suficiente para um diagnóstico seguro. O principal agente causal é o fungo Sclerotinia minor, porém S. sclerotiorum pode também estar associado à doença. A infecção é favorecida por baixas temperaturas (18ºC), solo úmido e alta umidade relativa (95 - 100%).

MOFO CINZENTO

É uma doença de pequena importância econômica, ocorrendo no "amendoim das secas", cuja semeadura é realizada em janeiro-fevereiro e portanto, se desenvolve nos meses de baixa temperatura. . Sob condições de alta umidade, os tecidos afetados se revestem de um crescimento pulverulento cinza constituído pelo micélio e frutificações do fungo. Plantas afetadas tendem a se distribuir em reboleiras e, quando colhidas, desprendem as vagens com facilidade. As vagens afetadas são escuras e chochas ou apresentam sementes enrugadas e mal desenvolvidas.O agente causal é Botrytis cinerea ,um fungo que se desenvolve bem somente em baixas temperaturas (abaixo de 20ºC) e alta umidade.

PODRIDÃO DE ASPERGILLUS

Manifesta-se como podridão de sementes, damping-off de pré-emergência e murcha de plantas novas, geralmente até 30 dias após a semeadura. Os tecidos afetados se cobrem de um crescimento escuro constituído por micélio conidiósforos e conídios do fungo. Em alguns casos pode ocorrer seca da haste principal ou até morte da planta. O agente causal é Aspergillus niger van Tiegh., cuja esporulação é favorecida por alta umidade e calor. Trata-se de um fungo de solo, mas em alguns lotes de sementes sua incidência pode estar acima de 90%.

MANCHA DE PHYLLOSTICTA

Ocorre em diversos países e existem relatos de incidência severa na Argentina. São lesões de 0,5 - 5,0 mm de diâmetro, circulares, com bordas marrom avermelhadas e centro claro, que com freqüência caem deixando um pequeno orifício. A doença é causada por Phyllosticta arachidis - hypogaea Vasant Rao. O fungo P. sojaecola Massal também pode ocorrer sobre amendoim e diferencia-se por apresentar numerosos picnídios dispostos em círculos concêntricos.

PODRIDÃO DE MACROPHOMINA

Macrophmina phaseolina (Tassi.) Goid, estágio picnidial de Rhizoctonia bataticola (Turb.) Butl., é responsável, em amendoim, por damping-off, murcha, podridão de raízes, de vagens, de sementes,e do caule, além de mancha foliar.Os sintomas em plantas adultas são mais comuns na região do colo, embora todas as partes da planta sejam suscetíveis. Lesões nas hastes e raízes, iniciam-se como encharcamento de tecidos mas, posteriormente, adquirem coloração escura devido à intensa formação de microescleródios. As plantas atacadas murcham e morrem.

ANTRACNOSE

Caracteriza-se por lesões alongadas em ambas as faces do folíolo, raramente em pecíolos e hastes, quando o agente causal é Colletotrichum mangenoti Chevaugeon. Quando o agente é C. dematium Pers ex. Fr. Grove aparecem pequenas manchas amarelas, encharcadas, de 1-3 mm de diâmetro, podendo se expandir em alguns casos tomando toda a extensão do folíolo. Lesões nos pecíolos são freqüentes e pode ocorrer morte da planta.

MANCHA DE ALTERNARIA

Lesões foliares causadas por Alternaria arachidis Kulk e A. alternata (Fr.) Keissler foram relatadas na Índia. São manchas marrom-avermelhadas internervais. A. alternata afeta também as nervuras.

MANCHA ZONADA

É uma doença de importância secundária causada por Cristulariella moricola (Hino) Redhead, que corresponde a Sclerotium cinnamomi Sawada, no estágio esclerodial. Caracteriza-se por lesões necróticas de 2 a 12 mm de diâmetro, de aspecto zonado nas duas faces do folíolo.

MANCHA OU QUEIMA DE PHOMOPSIS

Hastes secas afetadas por Phomopsis sojae Lehman mostram linhas paralelas de picnídios pretos, e adquirem aspecto enegrecido. Pode ocorrer queima de folhas, semelhante àquela de Leptosphaerulina, ou manchas necróticas nos folíolos, geralmente invadidas por outros fungos.

OÍDIO

Em amendoim pode haver incidência de Oidium arachidis Chorin, que se limita à superfície superior do folíolo.

MELANOSE

Pequenas lesões (0,5 - 1,0 mm), escuras e circulares, aparecem coalescentes ou isoladamente na superfície inferior dos folíolos. No início são ligeiramente deprimidas tornando-se salientes mais tarde. O agente causal é Stemphylium botryosum Wallr.

MANCHA DE PESTALOTIOPSIS

São lesões escuras, circulares, circundadas por halo amarelado e geralmente limitadas à nervura central. Acérvulos negros surgem no centro da lesão. É causada por Pestalotiopsis arachidis Satya.

MANCHA DE CHOANEPHORA

Raramente observada em folhas de amendoim, esta mancha caracteriza-se por ser de cor marrom, iniciar-se na margem do folíolo e, posteriormente, afetá-lo em sua totalidade. Choanephora spp. esporula abundantemente nas duas faces de folíolo, que mostra leves anéis concêntricos sobre as lesões.

SECA DAS FOLHAS

É causada por Myrothecium roridum Tode ex. Fr. e surge como lesões circulares ou irregulares de 5 - 10 mm de diâmetro, de cor cinza e circundada por halo clorótico. Corpos de frutificação (esporodóquios) negros surgem nas duas faces do folíolo, dispostos em anéis concêntricos.

PODRIDÃO NEGRA DE CYLINDROCLADIUM

A planta afetada mostra inicialmente clorose e murcha das folhas. O hipocótilo, as raízes primárias e secundárias e as vagens tornam-se escuras e necróticas. É típica a distribuição inicial em reboleiras. O sinal característico da presença do patógeno são os peritécios avermelhados sobre os tecidos afetados, somente próximo da superfície do solo. O agente causal é Cylindrocladium crotalarie (Loos) Bell & Sobers, que corresponde a Calonectria crotalariae (Loos) Bell & Sobers, em sua fase sexuada.

ENEGRECIMENTO DA CASCA DA VAGEM

Trata-se de uma doença causada por Thielaviopsis basicola (Berk & Br.) Ferr., que provoca manchas escuras na casca das vagens e excepcionalmente afeta também as raízes.

MURCHA DE VERTICILLIUM

Causada por Verticillium dahliae Kleb., foi relatada inicialmente na Ásia em 1937 e hoje encontra-se amplamente disseminada pelo mundo, com citações de prejuízos de até 60% da produção. Entretanto, na maioria das áreas é de importância secundária inclusive no Brasil. Os sintomas se manifestam por amarelecimento, murcha e subdesenvolvimento da planta. Internamente pode-se observar descoloração vascular.

PODRIDÃO DO COLO

Diplodia gossypina (Cke.) McGuire & Cooper é o mais provável agente causal da podridão do colo. Trata-se de uma doença de ocorrência rara e sem importância econômica. Os sintomas no colo da planta se traduzem por uma podridão inicialmente pardo clara e posteriormente escura, sobre a qual, em alta umidade, o fungo forma picnídios visíveis a olho nú como pontuações pretas.

PODRIDÃO DE RAÍZES

Trata-se de uma doença sem importância econômica e de ocorrência limitada a solos calcáreos, onde geralmente não se cultiva amendoim. É causada pelo fungo Phymatotrichum omnivorum (Shear) Dugg.

DESCOLORAÇÃO DE RAÍZES

Também é de importância secundária mas, cumpre ressaltar que seu agente causal, Olpidium brassicae (Woron.) Dong, tem uma ampla gama de hospedeiros e atua como vetor de diversas viroses de plantas.

MOFO AMARELO

Como doença da planta de amendoim, o mofo amarelo tem pequena importância, devido à baixa patogenicidade dos seus agentes causais. Entretanto, os fungos Aspergillus flavus Link e A. parasitirus Speare, são considerados muito importantes pelas micotoxinas (aflatoxinas) que produzem, quando associados a sementes de amendoim, especialmente em regiões tropicais e subtropicais.

PODRIDÃO DE PYTHIUM

Várias espécies de Pythium podem causar damping-off de pré e pós-emergência, murcha vascular, podridão de raízes e podridão de vagens em amendoim. Todas as espécies são cosmopolitas e têm ampla gama de hospedeiros. A principal espécie parece ser P. myriotylum Drechs., embora outras como P. aphanidermatum (Edson) Fitz, P. debaryanum Hesse, P. irregulare Buis e P. ultimum Tow, também sejam patogênicas ao amendoim.

FUSARIOSE

Cerca de 17 espécies de Fusarium já foram associadas à cultura do amendoim. Destas, apenas algumas são responsáveis por doenças, como F. solani f. phaseoli (Burkh.) Snyd. & Hans, F. oxysporum (Schlecht) Snyd. & Hans, F. roseum (LK.) Snyd. & Hans, F. moniliforme (Sheld.) Snyd. & Hans e F. tricinctum (Cdo.) Snyd. & Hans.Estes fungos, presentes no solo ou veiculados pelas sementes são responsáveis por podridão de raízes, ginóforos, vagens e sementes, damping-off e murcha vascular. A infecção isolada por esses fungo em amendoim é esporádica e epidemias são raras, exceto para podridão de vagens, onde Fusarium spp. faz parte do complexo de patógenos.

MURCHA BACTERIANA

É uma doença importante em algumas regiões do mundo mas secundária na maioria dos países produtores de amendoim. O agente causal, Pseudomonas solanacearum E.F.Sm., pode ser disseminado através de sementes e, portanto, medidas de quarentena devem ser adotadas para evitar a introdução de linhagens virulentas da bactéria em áreas onde a doença não é problema, como é o caso do Brasil.

VIROSES

A cultura do amendoim pode ser afetada por cerca de 15 viroses, entretanto, nenhuma delas tem sido problema sério no Estado de São Paulo, exceto em ocorrências esporádicas como no caso da mancha anular causada pelo vírus do vira-cabeça do tomateiro que, nas poucas vezes em que foi relatada, mereceu atenção por reduzir grandemente a produção.

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA